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o bom pastor 1

Crédito: Reprodução da Internet

Eco do Ressuscitado: A eleição de Leão XIV como sinal do Bom Pastor

Nenhum pastor se dá a si mesmo: é Cristo quem o escolhe, unge e envia para apascentar o seu rebanho.

Neste Domingo do Bom Pastor, a Igreja contempla, com particular emoção, o mistério do pastoreio de Cristo e sua perpetuação visível na figura do Papa, sucessor de Pedro. A Providência divina nos concede hoje uma coincidência carregada de significado: celebramos pela primeira vez esta liturgia dominical sob a guia do novo Vigário de Cristo, o Papa Leão XIV, eleito em um momento histórico que já se reveste de simbolismo espiritual e escatológico.

No Evangelho deste IV Domingo da Páscoa, Jesus declara: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas” (Jo 10,11). Essa imagem não é uma metáfora genérica; ela é um reflexo direto do ministério petrino. Desde o dia em que, à beira do lago de Tiberíades, o Ressuscitado confiou a Simão a tríplice missão de apascentar as Suas ovelhas (cf. Jo 21,15-17), cada sucessor de Pedro é chamado a configurar-se ao Cristo Pastor, que não foge diante do lobo, mas se entrega por amor ao rebanho.

A eleição de um Papa nunca é apenas um evento eclesial ou institucional. É sempre um ato de fé, um sinal escatológico, uma resposta do Céu à oração da Igreja: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18). Assim, a escolha do Cardeal Robert Francis Prevost como Leão XIV, ocorrida no dia 8 de maio — festa de São Miguel Arcanjo no Monte Gargano e de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia — e acolhida com esperança pelos fiéis, adquire um resplendor ainda maior ao ser celebrada no contexto litúrgico do Bom Pastor.

A Tradição da Igreja reconhece no Papa não apenas o guardião da fé, mas o pastor universal do povo de Deus. O Concílio Vaticano II reafirmou que o Romano Pontífice é “perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade, tanto dos bispos como da multidão dos fiéis” (Lumen Gentium, 23). Portanto, não é um líder político ou moral isolado, mas a expressão visível do pastoreio de Cristo que continua na história, conduzindo as ovelhas por entre os perigos deste mundo.

Neste Domingo do Bom Pastor, a oração da Igreja por santas vocações sacerdotais se une à oração por aquele que exerce o supremo pastoreio: o Papa. A figura do Sumo Pontífice é, por excelência, um dom de Deus ao seu povo. Por isso, a eleição do Papa Leão XIV deve ser acolhida com a mesma reverência com que os fiéis acolhem a voz do Bom Pastor que fala por meio de seu servo.

No contexto pascal, onde a vida triunfa sobre a morte e a luz dissipa toda escuridão, o novo Papa é também sinal de renovação e esperança. Leão XIV, ao escolher este nome, evoca a memória de predecessores combativos na fé, e seu lema episcopal, agora assumido com ainda maior responsabilidade — “Cristo em vós, esperança da glória” (Cl 1,27) — ressoa como eco fiel ao coração do Bom Pastor, que guia seu rebanho ao Reino.

Não é por acaso que os Evangelhos nos apresentam Jesus identificando-se com o Bom Pastor no tempo da Páscoa. A ressurreição é o selo definitivo do Seu amor e da verdade de Sua missão. E a eleição de um novo Papa no tempo pascal recorda que a Igreja, mesmo em meio às tribulações, é sempre conduzida pelo Ressuscitado que não abandona o seu povo. O Papa é esse sinal de fidelidade de Deus, essa rocha visível sobre a qual a fé permanece inabalável.

Rezemos, portanto, pelo Papa Leão XIV, para que seja um pastor segundo o Coração de Cristo, fiel à Verdade, manso e corajoso, prudente e firme, capaz de guiar a barca de Pedro nas águas turbulentas do mundo moderno. Que o Espírito Santo, que conduziu o conclave e inspirou os cardeais eleitores, continue a sustentar o Santo Padre com os dons da sabedoria, fortaleza e discernimento.

E que, sob o olhar materno da Virgem do Rosário de Pompéia e a proteção de São Miguel Arcanjo — cujas festas coincidiram providencialmente com sua eleição — o novo Papa exerça seu ministério como verdadeiro servo dos servos de Deus, conduzindo-nos com segurança ao aprisco eterno.

“E haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo 10,16). Que seja este o fruto do pontificado de Leão XIV: a unidade na Verdade, a caridade na firmeza da fé, e a santidade como destino de toda a Igreja.

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