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Crédito: Reprodução da Internet
Desde a aurora da Ressurreição até a descida do Espírito Santo em Pentecostes, a Igreja canta a vitória da Vida sobre a morte, e se inunda da alegria pascal, que não é euforia passageira, mas certeza de que o sepulcro está vazio e o Cristo ressuscitou verdadeiramente.
Tudo começa na mais solene e intensa liturgia do ano: a Vigília Pascal, na noite santa do Sábado Santo. É ali que, do silêncio do túmulo, irrompe o grito da vida. O fogo novo é aceso, símbolo de Cristo luz do mundo. O Círio Pascal brilha, como coluna luminosa que conduz o novo povo de Deus no êxodo definitivo, não mais do Egito, mas da escravidão do pecado à liberdade dos filhos de Deus. É a noite em que as trevas se rendem. É a noite em que a Igreja se alegra com os novos batizados, regenerados pela água e pelo Espírito, renascidos na graça como o próprio Cristo saindo do sepulcro.
A Vigília Pascal não é apenas um rito — é uma explosão de eternidade que rompe as paredes do tempo. A Liturgia da Palavra recapitula a história da salvação, desde a Criação até a Redenção, e culmina na proclamação jubilosa do “Glória a Deus nas alturas” e do “Aleluia”, após o silêncio quaresmal.
Os primeiros oito dias do Tempo Pascal são celebrados com a solenidade de um único dia: é a Oitava da Páscoa. Cada um desses dias é vivido como o próprio Domingo da Ressurreição. Cristo ressuscitado aparece aos discípulos, rompe as portas do medo, sopra o Espírito Santo e sela a paz. É um tempo para contemplar, com os olhos de Maria Madalena e de Tomé, o Senhor que venceu a morte. A Oitava se encerra com o Domingo da Divina Misericórdia, instituído por São João Paulo II, respondendo ao clamor do coração de Jesus revelado a Santa Faustina. É o dia em que o Ressuscitado mostra suas chagas gloriosas como fontes de misericórdia para a humanidade inteira.
Mas a Páscoa não termina na Oitava. Ela se estende por cinquenta dias — número que remete ao Jubileu, à plenitude, à libertação. São sete semanas inteiras (7×7), um tempo de colheita espiritual. Durante esses dias, a Igreja medita os relatos das aparições do Ressuscitado, escuta os Atos dos Apóstolos e acompanha os primeiros passos da Igreja nascente, impulsionada pelo fogo do Espírito.
A liturgia se reveste de branco. O Círio Pascal permanece aceso junto ao altar, lembrando a presença luminosa de Cristo entre os seus. Não se faz genuflexão diante do Santíssimo, mas inclinação, pois quem está de pé é o homem ressuscitado, redimido. Os sinos tocam com alegria. O “Aleluia” ressoa em cada canto, pois agora a dor da Cruz se revelou passagem — Páscoa — para a Vida eterna.
A Igreja reza com particular intensidade o “Regina Caeli”, saudando Maria, a Mãe do Ressuscitado, como Rainha do Céu, convidando-a à alegria pela vitória de seu Filho. Ela que esteve aos pés da Cruz, agora exulta com a Igreja triunfante.
No quadragésimo dia, a Igreja celebra a Ascensão do Senhor. Jesus, com Seu Corpo glorioso, sobe aos céus e senta-Se à direita do Pai. Não é uma partida, mas uma elevação da humanidade. Em Cristo, nossa carne ferida está glorificada junto a Deus. A Ascensão é a certeza de que o céu já nos pertence, porque um de nós — verdadeiro Deus e verdadeiro homem — já está lá.
Jesus promete: “Não vos deixarei órfãos”. E essa promessa prepara o coração da Igreja para a vinda do Paráclito.
E então chega o quinquagésimo dia: Pentecostes. O Espírito Santo, prometido por Cristo, desce sobre Maria e os Apóstolos reunidos no Cenáculo. É o sopro do novo tempo, a alma da Igreja, a chama que transforma homens temerosos em apóstolos intrépidos. A Igreja, nascida do lado aberto de Cristo na Cruz, agora recebe o fôlego da missão.
Pentecostes não é o fim do Tempo Pascal, mas o seu coroamento. A Páscoa desce do céu para o coração dos fiéis, e a missão da Igreja começa — anunciar ao mundo que a morte foi vencida e que o Amor vive.
Viver o Tempo Pascal é viver o núcleo da fé cristã: Cristo morreu, Cristo ressuscitou, Cristo voltará. Toda a vida da Igreja gira em torno desse mistério. Os Sacramentos nascem da Páscoa: o Batismo nos mergulha na morte e ressurreição de Cristo; a Eucaristia é o memorial vivo da Páscoa do Senhor; a Confissão nos dá a vida nova da Ressurreição.
O Tempo Pascal nos lembra que não seguimos um profeta morto, mas um Deus vivo. E Ele está conosco — na Palavra proclamada, no Pão consagrado, na comunidade reunida em Seu nome. O sepulcro está vazio, e o coração da Igreja está em festa.
Na dor da Cruz, fomos redimidos; na luz da Páscoa, fomos glorificados. O Tempo Pascal é o tempo da esperança definitiva, da alegria que não se desfaz, da certeza de que o amor é mais forte que a morte.
Celebrar esses cinquenta dias é deixar-se consumir por esse fogo divino que tudo transforma. É caminhar com o Ressuscitado, deixar-se tocar por Ele, e, como os discípulos de Emaús, correr para anunciar: “Vimos o Senhor!”