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Crédito: Reprodução da Internet
Devido à pandemia do coronavírus em 2020, durante meses, igrejas fecharam suas portas, os sacramentos foram suprimidos e multidões morreram sozinhas. Enquanto muitos clamavam por “retorno à normalidade”, poucos se perguntavam se a “normalidade” de antes era realmente digna do ser humano.
A Igreja Católica, embora atingida pelas restrições, não deixou de proclamar uma verdade dura, mas necessária: o sofrimento tem sentido — e pode ser remédio.
Como escreve Bento XVI na Spe Salvi, “a capacidade de aceitar o sofrimento por amor da verdade e da justiça é o critério da humanidade”. E mais adiante: “Uma sociedade que já não sabe sofrer e não quer sofrer, é uma sociedade que está fadada ao fracasso”.
A pandemia, com todo seu rastro de morte e incerteza, foi — e ainda é — um chamado de Deus. Não à destruição, mas à conversão.
O católico moderno, condicionado pela linguagem politicamente correta e por teologias pasteurizadas, estremece ao ouvir a palavra “castigo”. Mas a Tradição da Igreja é clara: Deus castiga como um Pai que corrige. Não querendo o nosso mal, mas ao contrário, permitindo que soframos as consequências de nossas ações e assim possamos reconhecer nossos erros e nos voltar à Ele
Santo Afonso de Ligório escreveu que os flagelos públicos servem para despertar os povos do torpor moral. Já São Carlos Borromeu, durante a peste em Milão (1576), não fugiu: convocou procissões, Missas públicas e jejum em reparação. Fez o contrário do que boa parte do clero atual fez em 2020.
A Gaudium et Spes recorda que “o homem só pode encontrar a sua verdadeira identidade no mistério do Verbo encarnado”. E foi justamente esse mistério — o do sofrimento redentor — que muitos ignoraram no isolamento, entregando-se ao desespero, ao hedonismo virtual ou ao medo paralisante.
Hoje, vemos um cenário paradoxal: cientificamente avançados, mas espiritualmente atrofiados. A ansiedade disparou entre jovens. A confiança nas instituições ruiu. O número de católicos praticantes caiu em várias partes do mundo. E o relativismo moral segue ditando as regras.
Mas também surgiram sinais de esperança: o aumento da procura pela Missa Tridentina, conversões em famílias que antes viviam no ateísmo prático, e um ressurgimento da espiritualidade sacramental entre os mais atentos.
Como diria o próprio Cristo: “Quem tiver ouvidos para ouvir, ouça”.
Em tempos de escuridão, a Igreja não oferece slogans, mas uma Cruz. A esperança cristã não é fuga anestésica, mas força para carregar a realidade com sentido — mesmo quando ela parece absurda. De novo, Bento XVI na Spe Salvi: “o verdadeiro pastor é aquele que conhece até onde vai a noite escura da alma”.
A crise sanitária escancarou a pandemia espiritual de um mundo que rejeitou a oração, zombou do jejum e fez da liberdade um ídolo.
A pandemia foi mais do que uma emergência de saúde pública. Foi um espelho brutal — e misericordioso. Revelou que estamos doentes de orgulho, de pressa, de incredulidade. E que Deus, na sua infinita pedagogia, permitiu esse mal para nos chamar de volta ao essencial.
Cinco anos depois, a pergunta não é: “quando tudo voltará ao normal?”
Mas sim: “o que fizemos com o tempo que nos foi dado?”