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Parque Eólico Petrobras

Crédito: Getty Images

Petrobras dá primeiro passo para projeto de parque eólico offshore no Brasil

Petrobras abre licitações para análises geofísicas e geotécnicas na costa do Rio de Janeiro, dando passo estratégico na transição energética e expansão em fontes renováveis

A Petrobras iniciou oficialmente os primeiros movimentos técnicos para implantação de um parque eólico offshore na costa brasileira. A estatal abriu duas licitações específicas para a realização de estudos geofísicos e geotécnicos na região de São João da Barra, no norte do estado do Rio de Janeiro — sinalizando a consolidação de sua entrada no setor de geração de energia eólica em alto-mar, ainda incipiente no país.

As licitações foram publicadas no portal Petronect no último dia 6 de junho e representam um marco inicial dentro de uma estratégia mais ampla da companhia para diversificar sua matriz energética. Os contratos, que deverão ser firmados com empresas especializadas até o segundo semestre de 2025, envolvem a coleta de dados fundamentais sobre as características do fundo marinho e da faixa costeira onde poderá ser instalado o futuro parque.

Estudos técnicos para viabilidade da estrutura

O primeiro edital trata de estudos geofísicos, com foco em águas ultra rasas. A área mapeada fica próxima ao litoral de São João da Barra e cobre aproximadamente 1,5 km². Os levantamentos incluem batimetria de alta resolução, mapeamento da resistividade elétrica do solo, varredura sísmica e identificação de estruturas submersas, como rochas e sedimentos instáveis. O objetivo é identificar as melhores condições para instalação das fundações do parque eólico.

O segundo edital refere-se a levantamentos geotécnicos, com escavações e perfurações controladas no solo marinho e costeiro para investigar sua resistência e composição. Essas informações são cruciais para projetar as fundações de torres eólicas flutuantes, além de auxiliar nos estudos de impacto ambiental e modelagem de instalação das estruturas de ancoragem e transmissão de energia.

Um projeto-piloto com base estratégica no Porto do Açu

O projeto-piloto terá o Porto do Açu como suporte logístico e operacional. A escolha não é aleatória: o porto é um dos maiores empreendimentos privados da América Latina e já opera como hub de energia, com infraestrutura portuária apta a atender plataformas offshore e transporte de equipamentos pesados. O porto também está em proximidade geográfica com a Bacia de Campos, onde a Petrobras já possui intensa atividade.

A área escolhida foi objeto de um protocolo de intenções firmado entre a Petrobras e o governo do estado do Rio de Janeiro no final de 2024, com vistas a desenvolver um projeto de geração eólica flutuante em águas costeiras.

Transição energética com metas ambiciosas

O movimento está inserido no plano estratégico da Petrobras de diversificação da matriz energética e ampliação de sua atuação em fontes renováveis. A estatal planeja investir US$ 11,5 bilhões em projetos de baixo carbono até 2028, incluindo energia solar, eólica (onshore e offshore), captura de carbono e hidrogênio de baixa emissão.

Paralelamente, a Petrobras mantém um memorando de entendimento com a norueguesa Equinor, uma das líderes mundiais no setor eólico offshore. A parceria contempla o desenvolvimento conjunto de até sete parques eólicos no litoral brasileiro, com potencial estimado de geração de 14,5 GW. Esses projetos ainda estão em fase de estudos ambientais e licenciamento.

A Petrobras também realiza desde 2020 o maior programa de medição de vento offshore do Brasil, com instalação de torres LiDAR em plataformas marítimas na Bacia de Campos, justamente para subsidiar projetos como esse. Os dados já coletados confirmam o elevado potencial eólico na costa fluminense.

Perspectivas e próximos passos

Com os estudos agora em fase de contratação, a expectativa da companhia é que os dados coletados permitam concluir a análise de viabilidade técnico-econômica do projeto-piloto até o final de 2026. Se confirmadas as condições adequadas, a Petrobras poderá dar início ao licenciamento ambiental, à engenharia básica e, posteriormente, à construção das estruturas flutuantes e linhas de transmissão.

O projeto ainda depende de regulamentações específicas para eólicas offshore, que vêm sendo discutidas no Congresso Nacional e nas agências reguladoras. A aprovação de um marco legal sólido será fundamental para garantir segurança jurídica e atrair investidores.

Um marco para a transição energética no Brasil

Ainda que em estágio inicial, o avanço da Petrobras sobre o setor eólico offshore marca uma virada simbólica e estratégica. Após décadas centrada na exploração de petróleo e gás, a estatal começa a reposicionar sua atuação diante das exigências ambientais e dos compromissos globais com a redução das emissões de carbono.

A iniciativa coloca o Brasil — que já é líder em energia renovável hidrelétrica — no radar de países que desenvolvem tecnologias de ponta em energia eólica marítima, como Reino Unido, Noruega, Japão e Estados Unidos. E, mais que isso, sinaliza o início de um novo ciclo de protagonismo da Petrobras no setor energético global, agora com a bússola voltada para os ventos do mar.

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