USD | R$4,9969 |
|---|
Crédito: Reprodução da Internet
Os mercados globais reagiram com forte volatilidade após um ataque militar israelense atingir instalações estratégicas no território iraniano, na madrugada desta sexta-feira (13). O episódio elevou de forma drástica os preços do petróleo e do ouro, enquanto bolsas internacionais registraram quedas expressivas. Analistas alertam para o risco crescente de uma escalada regional que pode desestabilizar o fornecimento de energia mundial e provocar efeitos inflacionários de largo alcance.
Fontes militares e diplomáticas confirmaram que Israel lançou uma série de ataques coordenados contra alvos militares no Irã, incluindo locais próximos à usina nuclear de Natanz e bases da Guarda Revolucionária. A ofensiva seria uma retaliação a movimentações iranianas recentes no Golfo Pérsico e no sul do Líbano. O governo israelense não comentou oficialmente, mas autoridades dos EUA e da União Europeia monitoram a situação com “preocupação máxima”.
O Irã respondeu com ameaças de retaliação “em escala regional”, incluindo possíveis bloqueios no Estreito de Ormuz — gargalo por onde passa cerca de 20% do petróleo global transportado por via marítima.
Com a tensão no Oriente Médio novamente em alta, os preços do petróleo reagiram de imediato. O barril do Brent, referência internacional, avançou mais de 11% nas primeiras horas do pregão europeu, sendo cotado acima de US$ 78, a maior alta diária desde a invasão da Ucrânia em 2022. O WTI, referência americana, saltou para US$ 73, com ganho superior a 6%.
Especialistas apontam que a movimentação reflete o temor de uma interrupção nas exportações iranianas e de outros produtores do Golfo.
“Se o Estreito de Ormuz for afetado, o mercado poderá enfrentar um choque semelhante ao de 1973. A cotação pode subir para além de US$ 120 por barril”, avaliou Helima Croft, estrategista-chefe do RBC Capital Markets.
Mesmo que o Irã represente apenas cerca de 4% da produção global, seu papel como exportador — especialmente para China, Índia e Síria — é sensível. Além disso, as tensões elevam o “prêmio de risco geopolítico” de toda a região, afetando inclusive os embarques da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos.
A Agência Internacional de Energia (AIE) emitiu nota sinalizando que está pronta para liberar reservas estratégicas “caso haja ruptura real de oferta”. Já a OPEP+, liderada pela Arábia Saudita e pela Rússia, tentou acalmar o mercado, afirmando que “os fundamentos permanecem sólidos”.
Simultaneamente, o ouro voltou a se valorizar como ativo de refúgio. A cotação subiu mais de 1% nas primeiras horas do dia e alcançou US$ 3.430 por onça-troy, aproximando-se de seu maior patamar histórico. A busca por segurança também impulsionou moedas consideradas estáveis, como o dólar, o iene japonês e o franco suíço.
“Estamos vendo um típico movimento de ‘risk-off’. Investidores se descolam de ações e títulos mais arriscados e migram para metais preciosos”, explicou Nicky Shiels, diretora da MKS Pamp.
Tokens lastreados em ouro, como o PAXG, também registraram influxos recordes, refletindo a crescente procura por formas digitais de proteção patrimonial.
Os mercados acionários internacionais fecharam em queda acentuada. O Dow Jones recuou 1,6%, perdendo mais de 700 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 1,2% e o Nasdaq recuou 0,9%. Na Europa, o índice DAX (Alemanha) e o CAC 40 (França) tiveram baixas próximas de 1,5%.
Empresas do setor de aviação, cruzeiros e turismo lideraram as perdas, refletindo o impacto imediato da alta do petróleo e do aumento do risco geopolítico. A Delta Airlines perdeu 6,3% em Nova York; a Ryanair, 4,7% em Londres.
Por outro lado, empresas de defesa e petroleiras registraram ganhos expressivos: a Lockheed Martin subiu 4,2%, e a ExxonMobil, 3,8%.
No plano geopolítico, as potências ocidentais tentam conter os danos. O presidente francês Emmanuel Macron convocou uma reunião emergencial do G7 para discutir “possíveis medidas de contenção diplomática e humanitária”. O governo dos EUA, por meio do Departamento de Estado, pediu “moderação” a ambas as partes, mas reiterou seu apoio ao “direito de autodefesa de Israel”.
Economistas alertam que o episódio pode gerar um novo ciclo inflacionário. Segundo o Barclays, se o preço do barril ultrapassar os US$ 100 e se mantiver por três meses, a inflação global pode subir até 1,2 ponto percentual no segundo semestre.
“Esse é o tipo de evento que o mercado teme: imprevisível, com efeito direto na energia e nos alimentos, e sem solução diplomática clara no curto prazo”, resumiu Mohamed El-Erian, conselheiro econômico da Allianz.
O mundo observa com apreensão os próximos movimentos. A continuidade ou não da ofensiva militar definirá se o movimento dos preços será pontual ou o início de um novo ciclo de instabilidade prolongada.
Enquanto isso, investidores e governos voltam a recalibrar seus modelos de risco. O petróleo, o ouro e a geopolítica, por ora, voltaram ao centro do tabuleiro — e o jogo está longe de terminar.