USD 
USD
R$4,9113up
13 maio · FX SourceCurrencyRate 
CurrencyRate.Today
Check: 13 May 2026 17:50 UTC
Latest change: 13 May 2026 17:43 UTC
API: CurrencyRate
Disclaimers. This plugin or website cannot guarantee the accuracy of the exchange rates displayed. You should confirm current rates before making any transactions that could be affected by changes in the exchange rates.
You can install this WP plugin on your website from the WordPress official website: Exchange Rates🚀
Pier Giorgio Frassativ

Crédito: Reprodução da Internet

Pier Giorgio Frassati: quando a santidade veste botas de montanha e carrega o terço no bolso

Exemplo de fé viva e caridade concreta, Pier Giorgio Frassati mostra que a santidade é possível no cotidiano de qualquer jovem

Poucos santos falam tanto ao coração da juventude como Pier Giorgio Frassati. Não foi padre, não fundou congregação, não pregou em praças lotadas. Era um rapaz comum: universitário, amante do esporte, amigo das risadas e dos encontros sociais. E, ao mesmo tempo, extraordinariamente incomum: viveu a radicalidade do Evangelho nas pequenas e grandes escolhas, sem alarde, sem estardalhaço, mas com um coração inflamado de amor por Cristo e pelos pobres.

João Paulo II o chamou de “o homem das bem-aventuranças”. E, de fato, Frassati encarna aquela estranha equação cristã: alegria e cruz, juventude e maturidade espiritual, contemplação e ação. Sua vida curta — apenas 24 anos — é daquelas que deixam marca profunda, justamente porque mostram que a santidade não é privilégio dos altares, mas vocação de cada batizado.

Um jovem com pés na montanha e coração no céu

Nascido em Turim em 1901, no seio de uma família rica e influente, Pier Giorgio poderia ter seguido o caminho confortável de muitos de sua classe social. Mas a graça o cutucava de outro modo. Desde cedo, buscava Deus no silêncio das alturas: escalar montanhas não era apenas esporte, era metáfora espiritual. Ali, entre rochedos e neve, rezava, cantava, ria. Quem convivia com ele percebia: não era um aventureiro qualquer, mas um apaixonado pelo Criador que se deixava tocar pela beleza da criação.

No entanto, sua espiritualidade não se restringia às paisagens alpinas. O mesmo jovem que subia aos picos gelados descia, com igual entusiasmo, às periferias de Turim, visitando doentes, levando alimentos, consolando pobres. Não via contradição entre alpinismo e apostolado: para ele, ambos eram caminhos para chegar mais perto de Deus.

Eucaristia: a fogueira que aquecia suas escolhas

A fonte de tudo estava clara: a vida sacramental. Frassati tinha na missa diária, na confissão frequente e na adoração ao Santíssimo a base da sua força. Não era um devoto intimista, daqueles que reduzem a fé a piedade privada; ao contrário, a Eucaristia era o combustível que o lançava à ação.

Aqui está uma lição atualíssima: em tempos em que tantos reduzem a fé a “valores” ou “engajamento social”, Frassati lembra que sem Cristo vivo na Eucaristia, a caridade se esvazia. Ele não ajudava os pobres porque era “bonzinho”, mas porque via neles o rosto de Cristo. A liturgia, para ele, não era enfeite, era fogo.

Caridade sem romantismo

A fama de Pier Giorgio entre os amigos era a do rapaz sempre sorridente, piadista, que enchia a vida de alegria. Mas esse sorriso não era ingênuo: vinha de um coração que sabia sofrer pelos outros. Testemunhas contam que, ao sair de casa, muitas vezes não tinha dinheiro no bolso — já havia distribuído tudo. Preferia andar de terceira classe no trem para poder usar a diferença em obras de caridade.

Na Sociedade de São Vicente de Paulo, foi presença constante: visitava favelas, cuidava de crianças, carregava cestas. Não delegava a ninguém o que ele mesmo podia fazer. Aliás, foi provavelmente em uma dessas visitas que contraiu a poliomielite que o levaria à morte precoce, em 1925. Viveu o que pregava até as últimas consequências: gastar a vida pelos outros.

Dominicano no meio do mundo

Pouca gente sabe que Frassati era terciário dominicano. Essa pertença moldou profundamente sua vida espiritual. Inspirava-se em São Domingos e em São Tomás de Aquino, mas especialmente em Santa Catarina de Sena, cujo amor apaixonado pela Igreja o fascinava. Como dominicano leigo, uniu estudo, oração e apostolado — tríade que o ajudou a não ser um mero “ativista cristão”, mas um apóstolo enraizado na verdade do Evangelho.

Isso mostra algo precioso: o laicato, quando abraça a espiritualidade das ordens eclesiais, encontra uma escola segura de santidade. Pier Giorgio não inventou moda; bebeu da Tradição e a viveu no seu cotidiano.

O homem das bem-aventuranças

Na homilia de beatificação, João Paulo II afirmou: “Ele viveu plenamente a vida das bem-aventuranças”. Não era frase de efeito. Quem lê o Evangelho em Mateus 5 encontra em Frassati uma tradução viva: pobre de espírito (apesar da riqueza familiar), manso e justo (defensor da dignidade humana), puro de coração (fiel ao amor casto), misericordioso até o fim.

É por isso que sua canonização em 2025 não surpreende: já havia muito tempo que o povo de Deus o reconhecia santo. A Igreja apenas confirmou o que as ruas, os jovens e os pobres já sabiam.

O que ele ensina ao católico de hoje

A vida de Frassati é um manual prático para quem busca viver a fé no mundo atual:

  1. Santidade não é fuga — é presença alegre e incisiva nas realidades sociais.
  2. A Eucaristia é central — sem Cristo vivo, todo “ativismo” vira ONG.
  3. O estudo forma a caridade — a fé precisa de inteligência e formação para sustentar-se com firmeza.
  4. Alegria e cruz caminham juntas — sorrir não é negar a dor, mas assumi-la em Cristo.

Num tempo em que muitos jovens se sentem perdidos entre diversão vazia e engajamento estéril, Pier Giorgio mostra que é possível viver ambos: rir, festejar, subir montanhas… e, ao mesmo tempo, gastar a vida pelos mais necessitados, com raízes no altar e os olhos no Céu.

Frassati morreu aos 24 anos, mas nunca ficou “datado”. Sua imagem com mochila, corda de alpinismo e terço na mão continua atual. Ele fala de santidade sem cara de museu, sem tom moralista, sem peso sufocante. Fala de uma alegria exigente, que nos lembra de algo fundamental: não basta “ser bom”; é preciso ser santo.

E santo não no sentido caricatural, mas no sentido mais radical e libertador: viver como filho de Deus, gastar-se pelos irmãos, buscar sempre “o alto” — como repetia em seu lema favorito: Verso l’alto.

É por isso que Pier Giorgio Frassati é mais que memória. É chamado vivo, urgente e direto: a santidade é possível, é alegre, é jovem. E, como ele provou, cabe perfeitamente nas botas de montanha e no bolso de um estudante universitário.

Compartilhe

Sobre o autor

Publicidade

mais notícias

Filme “Todas Elas em Uma” estreia nos cinemas em maio e leva aos palcos da tela uma poderosa experiência musical sobre o feminino, a vida e o amor. Entre os dias 11 e 12 de maio, o filme será exibido nos cinemas com distribuição da Kolbe Arte em parceria com a Oficina Viva Produções, em 10 salas espalhadas pelo Brasil.
Advento, o tempo em que a esperança toma forma e prepara o coração para a luz que vem
Um chamado renovado às graças que transformam e sustentam o coração cristão.
Os 14 auxiliadores revelam como o Céu se inclina para socorrer aqueles que permanecem fiéis
Santa Catarina de Alexandria — a mente que desarmou impérios e o coração que não traiu Cristo
Cristo Rei reina do alto da cruz e conduz o tempo até a plenitude da sua glória
Onde a música se faz oração, o coração encontra o caminho da santidade
A reencarnação não cabe onde Cristo salva de uma vez para sempre
Reparação é devolver amor a quem nunca deixou de amar
A firmeza de São Odão de Cluny recorda que a verdadeira reforma começa no interior
Santo Alberto Magno foi um sábio que fez da inteligência um ato de fé viva
O Batismo é um começo sobrenatural que redefine quem somos e para onde caminhamos