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Crédito: Minha Biblioteca Católica
Desde os primeiros séculos do cristianismo até os nossos dias, a juventude ocupa um lugar singular e indispensável no Corpo Místico de Cristo, a Igreja. Muito mais do que uma etapa biológica, a juventude é compreendida, à luz da fé católica, como um tempo sagrado de discernimento, entrega e missão. O Papa São João Paulo II, apóstolo da juventude, via nos jovens a “esperança da Igreja e do mundo”, afirmando: “Vós sois os guardiões da manhã, os vigias que anunciam a luz do novo milênio” (Mensagem para a XVII Jornada Mundial da Juventude, 2002).
As Sagradas Escrituras testemunham o papel transformador dos jovens na história da salvação. José do Egito, ainda adolescente, permaneceu fiel a Deus diante da traição dos irmãos e das tentações no Egito. Davi foi ungido rei quando ainda era pastor e jovem, e com coragem enfrentou o gigante Golias. A Virgem Maria, provavelmente adolescente, pronunciou o “fiat” que mudou o curso da humanidade. João Evangelista era jovem quando seguiu Cristo, e é reconhecido como “o discípulo amado”, modelo de ternura e fidelidade.
A Tradição da Igreja sempre reconheceu nos jovens a capacidade de escutar e responder com generosidade ao chamado de Deus. São Domingos de Gusmão, São Luís de Gonzaga, Santa Teresinha do Menino Jesus, Santa Maria Goretti e São José Sánchez del Río foram jovens que abraçaram o Evangelho até as últimas consequências, oferecendo suas vidas por amor a Cristo.
O Magistério da Igreja, especialmente a partir do Concílio Vaticano II, reforça que os jovens não são apenas destinatários da evangelização, mas protagonistas dela. No documento Christifideles Laici, São João Paulo II afirma: “Os jovens não devem ser considerados simplesmente como objeto da solicitude pastoral da Igreja: são, de fato, e devem ser encorajados a sê-lo, sujeitos ativos, protagonistas da evangelização e artífices da renovação social” (n. 46).
Com a criação das Jornadas Mundiais da Juventude, São João Paulo II institucionalizou não apenas um evento, mas uma cultura eclesial: a de escutar os jovens, formá-los na fé, levá-los ao encontro pessoal com Cristo e lançá-los como missionários no coração do mundo. “A Igreja tem tanto a dizer aos jovens, e os jovens têm tanto a dizer à Igreja!” – bradou ele na Christifideles Laici e repetiu em diversas ocasiões.
Cada gesto de um jovem católico tem valor profundo e eclesial. Quando um jovem se aproxima do altar, ele representa a esperança de uma nova geração fiel à Tradição. Quando um jovem reza o terço, participa da Missa ou adora o Santíssimo Sacramento, ele não apenas vive sua fé pessoal, mas testemunha à Igreja viva e vibrante.
O voluntariado em retiros, missões e eventos litúrgicos por parte dos jovens revela o rosto servidor da juventude. O canto litúrgico, as pastorais juvenis, a participação como coroinhas ou acólitos, e a atuação em movimentos como o EJC, o Shalom, ou as Novas Comunidades, dentre outros carismas da Igreja, são gestos que carregam significados profundos: entrega, comunhão, unidade com a Igreja e disposição missionária.
O discernimento vocacional vivido na juventude – seja ao sacerdócio, à vida consagrada ou ao matrimônio – é também um gesto de fé e maturidade eclesial. Como ensina o Catecismo da Igreja Católica: “Todo fiel é chamado à santidade e à missão” (n. 2013), e isso se inicia, muitas vezes, nos anos de juventude, quando as grandes escolhas são feitas à luz do Espírito Santo.
Os jovens são chamados a ser sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-14). Esse chamado se traduz no testemunho coerente, na defesa da fé em ambientes hostis, na pureza de vida, na caridade ativa, na evangelização nas redes sociais, na cultura e na política. A juventude católica é chamada a resistir ao espírito do mundo com coragem profética, sendo “influencers de Deus”, como disse o Papa Francisco.
São João Paulo II advertia: “Não tenhais medo! Abri as portas a Cristo!”. Essa exortação é especialmente dirigida aos jovens, chamados a viver a ousadia da fé, mesmo diante do relativismo, da cultura da morte e do secularismo que marcam o tempo presente.
A participação dos jovens na liturgia não é um gesto decorativo ou animador, mas um ato de união com a oração da Igreja universal. Na liturgia, o jovem encontra a escola da espiritualidade autêntica. Quando ele aprende o valor do silêncio, do ajoelhar-se, do canto sacro, da reverência diante do Sagrado, ele é moldado pela graça de Deus. A missa dominical, vivida com profundidade, é a âncora da juventude cristã.
A devoção mariana, especialmente vivida por jovens, como nas consagrações a Nossa Senhora segundo São Luís de Montfort, ou no Terço dos Jovens, é um caminho seguro de fidelidade à Igreja, pois Maria é “modelo de toda juventude cristã que deseja dizer sim ao plano de Deus”.
Em sua Exortação Apostólica Christus Vivit, o Papa Francisco recorda o ensinamento de São João Paulo II e propõe aos jovens um caminho de santidade e missão: “Ser jovem não significa apenas buscar prazeres passageiros, mas ousar sonhar com grandes coisas, com a santidade!” (n. 141).
A santidade jovem é alegre, criativa, ousada e profundamente eclesial. Não é oposição à tradição, mas é sua continuidade dinâmica. Um jovem santo é um sinal escatológico, um clamor silencioso ao mundo de que Deus ainda levanta santos em nossos dias.
A juventude na Igreja Católica não é um “futuro distante”, mas um presente ativo. São João Paulo II via nos jovens não um problema a resolver, mas uma vocação a acolher. Eles são herdeiros da fé dos mártires e missionários do novo milênio. Ao reconhecer, formar e acompanhar a juventude, a Igreja cumpre seu papel materno e garante que o tesouro da fé não se perca.
O gesto de um jovem ajoelhado, de mãos erguidas em oração, de olhos voltados para o céu, é sinal de que Deus continua chamando. E a resposta da juventude é o eco do Magnificat de Maria: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1,38).