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Crédito: Reprodução da Internet
Crer nas Sagradas Escrituras não é apenas aceitar um livro sagrado entre tantos outros, mas é acolher com fé a Palavra viva de Deus, transmitida por meio de textos inspirados, reconhecidos e guardados pela Igreja ao longo dos séculos. Para a fé católica, essa crença não se fundamenta em argumentos meramente humanos, mas na autoridade divina que garante a sua veracidade. Como ensina o Concílio Vaticano II:
“A Sagrada Escritura é a palavra de Deus, enquanto redigida por inspiração do Espírito Santo” (Dei Verbum, 9).
A Sagrada Escritura é composta por 73 livros — 46 do Antigo Testamento e 27 do Novo — reconhecidos como inspirados por Deus. Isso significa que, embora tenham sido escritos por autores humanos em contextos históricos concretos, foram redigidos sob a ação do Espírito Santo, de forma que Deus é seu verdadeiro autor.
O Catecismo da Igreja Católica afirma:
“Deus é o autor da Sagrada Escritura. As verdades reveladas por Deus que se encontram e se apresentam na Sagrada Escritura foram consignadas por inspiração do Espírito Santo” (CIC 105).
Portanto, crer na Escritura é crer que Deus se comunica conosco de forma concreta, inteligível e salvadora. Não deve-se acreditar na Bíblia por si mesma, mas sim porque é Deus quem fala através dela.
Essa é uma objeção comum. Porém, a fé católica responde: nós cremos na Escritura porque cremos em Deus — e cremos em Deus porque Ele se revelou, e Sua revelação foi atestada por sinais históricos, proféticos e sobretudo pelo testemunho de Jesus Cristo.
Como explica o Pe. Paulo Ricardo: “A fé cristã não se apoia em ideias, mas em um fato: Deus entrou na história. A Bíblia não é uma coleção de mitos, mas o registro da Revelação divina culminada em Jesus Cristo.”
Cristo, Verbo eterno do Pai, é a Palavra viva de Deus. Ele mesmo confirmou a autoridade das Escrituras: “Não vim abolir a Lei e os Profetas, mas levá-los à perfeição” (Mt 5,17).
Crer na Bíblia é crer em Jesus. E crer em Jesus implica crer na Palavra de Deus que Ele mesmo confirmou, ensinou e interpretou.
A Igreja ensina que a inspiração divina garante a inerrância da Escritura nas verdades que Deus quis comunicar para a nossa salvação (cf. Dei Verbum, 11). Isso significa que a Bíblia não erra ao ensinar aquilo que é necessário para crer e viver como cristão.
Além disso, a própria Tradição da Igreja — que é a transmissão viva da fé desde os Apóstolos — reconhece a Sagrada Escritura como Palavra autêntica de Deus. A Bíblia não “caiu do céu” pronta: ela foi escrita, acolhida, discernida e preservada dentro da Igreja, e seu cânon (isto é, a lista dos livros inspirados) foi definido com autoridade pela Igreja nos concílios antigos (como o de Hipona e o de Cartago, séc. IV).
O Pe. Paulo Ricardo destaca que a Bíblia foi confiada à Igreja, e não o contrário. Isso mostra que a interpretação correta da Escritura só é possível em comunhão com a fé da Igreja:
“A Igreja é a guardiã da Escritura, não sua rival. Quem rejeita a Igreja, perde o critério para reconhecer a Bíblia como Palavra de Deus.”
A fé católica não é cega. A Igreja sempre ensinou que fé e razão não se contradizem. Pelo contrário, a razão pode demonstrar os sinais de credibilidade da fé cristã — como os milagres, o cumprimento das profecias, a unidade e coerência das Escrituras e o testemunho dos mártires.
O Pe. Paulo Ricardo frequentemente explica que a fé se apoia em fundamentos racionais, mas vai além da razão:
“A fé é uma virtude sobrenatural que se apoia na autoridade de Deus, que não pode enganar nem se enganar. Por isso, cremos que a Bíblia é verdadeira: porque Deus a inspirou e a Igreja a reconheceu.”
A Igreja ensina que a Escritura deve ser lida à luz do mesmo Espírito que a inspirou (CIC 111). Isso significa:
Ler a Bíblia em unidade com toda a Escritura, evitando interpretações isoladas ou contraditórias; interpretar de acordo com a Tradição viva da Igreja, que sempre leu a Bíblia à luz da fé apostólica; reconhecer a autoridade do Magistério da Igreja, que tem a missão de guardar e interpretar autenticamente a Palavra de Deus.
Por isso, a leitura pessoal da Bíblia deve sempre estar em sintonia com a fé da Igreja. Não somos “leitores solitários”, mas membros de um Corpo, guiados pelo mesmo Espírito. Escrituras, Tradição e Magistério andam sempre juntos.
Em última instância, crer na Sagrada Escritura é um ato de confiança: confiamos que Deus é bom, verdadeiro e fiel à Sua Palavra. Como diz Santo Agostinho:
“Creio nas Escrituras porque creio em Cristo; e creio em Cristo porque creio na Igreja.”
Essa fé nos leva a ler a Bíblia não apenas como um texto antigo, mas como uma carta viva de Deus para nós, capaz de iluminar, corrigir, consolar e transformar nossa vida.
Crer na Sagrada Escritura é um ato profundamente católico. É reconhecer que Deus não está mudo: Ele falou e continua falando. A Escritura é, para o cristão, alimento da alma, espada do Espírito, luz para o caminho e fundamento da fé. Como dizia São Jerônimo:
“Ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo.”
Por isso, crer na Bíblia não é um detalhe da fé: é um pilar. E a Igreja, como mãe e mestra, nos convida não só a crer na Palavra de Deus, mas a amá-la, meditá-la e vivê-la com o coração aberto e a mente iluminada pela fé.