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Crédito: Reprodução da Internet (Via: https://diocesedesetelagoas.com.br/como-surgiu-a-devocao-ao-imaculado-coracao-de-maria/)
Por séculos, o sábado tem sido, discretamente, um dia especial no calendário da piedade católica. Diferente do domingo, reservado à celebração da ressurreição de Cristo, ou da sexta-feira, que relembra a Paixão, o sábado é tradicionalmente dedicado à Virgem Maria. Mas de onde vem essa tradição, e por que justamente esse dia da semana é reservado à Mãe de Jesus?
A resposta está profundamente enraizada na teologia, na história da salvação e na espiritualidade cristã. O sábado mariano — como é chamado por muitos — nasce da contemplação do Sábado Santo, o dia silencioso entre a morte e a ressurreição de Jesus. Enquanto os discípulos estavam escondidos, mergulhados no medo e na desesperança, a figura de Maria se destaca pela sua fidelidade. Segundo a tradição, ela foi a única que manteve viva a fé na promessa da ressurreição.
“Maria é modelo da esperança cristã. No Sábado Santo, quando tudo parecia perdido, ela não duvidou do cumprimento da Palavra de Deus”, explica a teóloga Maria Clara Fonseca, especialista em mariologia. “É por isso que, já nos primeiros séculos do cristianismo, começou-se a enxergar no sábado um espaço privilegiado para recordar a firmeza da fé de Nossa Senhora”.
A devoção mariana aos sábados começou a ganhar forma mais concreta entre os séculos VIII e IX, especialmente nos mosteiros beneditinos da Europa. Monges dedicavam orações e cânticos especiais à Mãe de Deus nas manhãs de sábado. Com o tempo, essa prática se espalhou e foi sendo acolhida por outras ordens religiosas, até ganhar força na piedade popular.
No século XI, a Igreja começou a oficializar algumas dessas práticas, incentivando missas votivas em honra a Nossa Senhora aos sábados. Durante a Idade Média, papas e santos como São Bernardo de Claraval e Santo Afonso de Ligório reforçaram essa devoção, vendo nela uma forma de aproximar o povo de Deus da ternura e do cuidado materno de Maria.
Além do simbolismo do Sábado Santo, outro fator contribuiu para essa escolha: o sábado, na tradição judaica, é o “shabat”, dia de descanso e consagração. Ao dedicar esse dia a Maria, a Igreja parece querer unir a antiga aliança com a nova, reconhecendo em Maria a mulher do “sim” que trouxe ao mundo o Salvador.
Hoje, embora menos conhecido entre os fiéis em geral, o sábado mariano ainda é celebrado por muitos. Congregações religiosas, grupos de oração e comunidades paroquiais mantêm viva essa tradição com terços, ladainhas, e missas em honra à Virgem. Em muitos lugares, ainda é comum jejuar ou oferecer algum pequeno sacrifício nesse dia como forma de devoção.
Devido ao exemplo de Maria, o sábado é um convite à contemplação e à confiança. Em tempos turbulentos, Nossa Senhora representa a esperança que não se apaga, mesmo diante do luto e da dor.