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Crédito: Nair Bueno/Diário do Litoral
A quarta frente fria de 2025 já avança pelo território brasileiro, trazendo mudanças expressivas no tempo em diversas regiões do país. O sistema, que começou a se formar no sul do continente ainda no fim de junho, chegou ao Sul do Brasil no início desta semana e avança agora sobre o Sudeste, Centro-Oeste e partes do Norte, derrubando as temperaturas e provocando instabilidade atmosférica em várias localidades.
A frente fria nasceu a partir de um sistema de baixa pressão sobre o Oceano Atlântico, associado a uma massa de ar polar que desceu pela Argentina e Uruguai. Essa configuração é típica dos meses de inverno no Hemisfério Sul, mas a intensidade do ar frio e a velocidade com que o sistema subiu pela costa brasileira chamaram a atenção dos meteorologistas.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a frente fria provocou forte queda de temperatura sobretudo no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina entre segunda (30/6) e terça-feira (1/7), com mínimas chegando a 2 °C em áreas de serra e registros pontuais de geada. A massa de ar frio se deslocou rapidamente para o Sudeste, embora com força moderada, sem provocar frio extremo como em ondas polares passadas.
No Sul, o sistema foi sentido com maior força. Além do frio intenso, houve chuva fraca a moderada em várias áreas, especialmente no leste gaúcho e catarinense. Porto Alegre amanheceu com 8 °C na terça-feira, um valor baixo, mas não recorde para a época do ano. Em cidades da serra catarinense, como São Joaquim, houve registros de geada, embora não tenham sido generalizados.
Segundo a Climatempo, este evento não foi dos mais rigorosos, mas manteve o padrão típico do inverno sulista, com ventos gelados e sensação térmica baixa, principalmente durante as manhãs e noites.
No Sudeste, a frente fria chegou trazendo queda nas temperaturas, aumento de nebulosidade e episódios isolados de chuva, especialmente no litoral paulista e no Rio de Janeiro. Na capital paulista, as máximas caíram para a casa dos 20 °C, depois de semanas acima de 25 °C, cenário que trouxe alívio após dias de tempo seco.
Já no Centro-Oeste, o sistema atuou de forma menos intensa, mas foi suficiente para baixar ligeiramente as temperaturas em Mato Grosso do Sul e em áreas do sul de Goiás, sem previsão de frio extremo. A umidade relativa do ar, contudo, segue baixa em grande parte do interior do país, fenômeno típico do inverno brasileiro.
Um dos efeitos mais interessantes do avanço desta frente fria é a chamada “friagem”, fenômeno característico da Amazônia durante o inverno. O ar frio que desce do sul do continente avança pelas planícies e chega até Rondônia, Acre e parte do Amazonas, provocando quedas pontuais de temperatura. Para os próximos dias, o Inmet prevê mínimas entre 16 °C e 18 °C em Porto Velho, valores baixos para padrões amazônicos.
Segundo meteorologistas, essa friagem não deve ter força histórica, mas ainda assim será sentida como um “choque térmico” em relação ao calor habitual da região.
Apesar do avanço expressivo, meteorologistas ressaltam que a frente fria não deve provocar frio extremo no Sudeste ou Centro-Oeste, tampouco geadas generalizadas fora do Sul. A tendência, segundo o Inmet, é de estabilização do ar frio entre sexta-feira (4) e sábado (5), com predomínio de temperaturas amenas e sem indicativo de novos episódios de frio intenso no curto prazo.
Ainda assim, o sistema ajuda a reduzir as temperaturas médias e traz um alívio momentâneo à sensação de calor persistente que vinha marcando o início do inverno em várias partes do país.
A massa polar associada à frente fria deve continuar influenciando o tempo no Brasil ao longo do fim de semana, mantendo as temperaturas mais baixas, especialmente durante as madrugadas e manhãs. O cenário, no entanto, não é de frio excepcional nem de grandes temporais associados.
Para os próximos dias, a previsão aponta sol entre nuvens em grande parte do país, chuvas isoladas no litoral do Sudeste e ventos frios persistentes no Sul. A expectativa é de que, após este evento, o tempo volte a esquentar gradativamente, dentro do padrão típico do inverno brasileiro.