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Crédito: Reprodução da Internet
A entrada de uma frente fria no estado de São Paulo tem provocado instabilidade atmosférica desde a madrugada desta quarta-feira, resultando em rajadas de vento expressivas e mudanças bruscas nas condições climáticas. De acordo com dados do Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) da capital paulista, os ventos já atingiram 57,4 km/h no Aeroporto de Congonhas por volta das 11h da manhã, com tendência de intensificação ao longo do dia.
A Defesa Civil do Estado, em conjunto com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), emitiu alertas para toda a região, destacando a possibilidade de ventos superiores a 60 km/h nas próximas horas. O alerta amarelo (perigo potencial) de chuvas intensas permanece válido até a manhã de quinta-feira, 29 de maio, às 10h. Já o alerta laranja (perigo) para declínio acentuado de temperatura deve entrar em vigor à meia-noite desta quinta-feira, com queda prevista de mais de 5°C em várias cidades do interior.
Na cidade de São Paulo, a chegada da frente fria trouxe um cenário típico de instabilidade pré-invernal: céu encoberto, ventos fortes e sensação térmica em declínio. A prefeitura, por meio do CGE, ativou estado de atenção nas zonas sul e oeste da cidade, recomendando que a população evite áreas de risco, especialmente locais com árvores de grande porte e fiações elétricas expostas.
“As rajadas de vento estão associadas ao contraste entre o ar quente que estava sobre o estado e a entrada abrupta de uma massa de ar frio. Essa diferença térmica gera correntes descendentes e intensifica os ventos, especialmente em áreas urbanizadas”, explicou o meteorologista Marcos Pinheiro, do CGE.
O alerta da Defesa Civil adverte para o risco de destelhamentos, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia elétrica.
“Estamos com equipes em prontidão em todas as regiões administrativas. Qualquer sinal de emergência pode ser comunicado pelo 199. Pedimos à população que evite se abrigar debaixo de árvores e que mantenha distância de fios caídos ou postes danificados”, afirmou o tenente-coronel Silvio Oliveira, coordenador regional da Defesa Civil.
O histórico de São Paulo com ventos fortes é conhecido: em outubro de 2023, rajadas superiores a 80 km/h causaram o colapso de parte da cobertura da Estação Palmeiras-Barra Funda, da CPTM, e deixaram bairros inteiros sem luz por mais de 12 horas. Embora o evento atual não tenha atingido ainda essa magnitude, o CGE considera o fenômeno “potencialmente danoso” e alerta para a continuidade da instabilidade até o fim da semana.
“As mudanças climáticas tornaram mais frequentes os episódios extremos. Hoje, a cada frente fria, precisamos observar não só os volumes de chuva, mas também o comportamento dos ventos. As cidades não foram projetadas para lidar com rajadas contínuas de 60 ou 70 km/h. Isso exige planejamento urbano e atualização constante dos planos de contingência”, comentou o geógrafo e especialista em desastres naturais, Dr. João Carlos Bertoni, da Universidade de São Paulo (USP).
As autoridades listam uma série de precauções que devem ser adotadas enquanto durar a condição de vento forte:
Com a passagem da frente fria, a tendência é de queda nas temperaturas em todo o estado. Na capital, os termômetros devem marcar mínimas abaixo de 12°C nas madrugadas de quinta e sexta-feira. Em Campos do Jordão e Serra da Mantiqueira, há possibilidade de geada isolada.
O meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Rafael Sampaio, afirma que o padrão é típico de maio, mas reforça que a intensidade do vento nesta quarta está acima da média: “É raro vermos rajadas dessa força antes de junho. Esse é um dos primeiros sinais de que o inverno deste ano pode vir com maior rigidez”.
O fenômeno das rajadas de vento desta quarta-feira é mais um lembrete da vulnerabilidade urbana diante de eventos climáticos extremos. Embora não haja, até o momento, relatos de vítimas ou grandes danos, a população deve manter atenção redobrada até a normalização das condições meteorológicas.
Para informações atualizadas, recomenda-se o acompanhamento dos canais oficiais da Prefeitura de São Paulo, CGE, Defesa Civil e INMET (https://alertas2.inmet.gov.br/)