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Crédito: Ministério da Defesa da Ucrânia
Na madrugada do dia 25 de maio de 2025, o mundo testemunhou um dos episódios mais sombrios desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia. Em uma ofensiva massiva e coordenada, a Rússia lançou o maior ataque aéreo da guerra, empregando um arsenal aterrador: 367 projéteis, entre os quais 298 drones de combate e 69 mísseis de alta precisão. As consequências foram devastadoras. Ao menos 14 pessoas perderam a vida — três delas crianças — e mais de 60 ficaram feridas em diferentes regiões do país.
As cidades de Kiev, Kharkiv, Mykolaiv, Zhytomyr, Khmelnytskyi e Dnipro foram duramente atingidas. Em algumas delas, bairros residenciais inteiros foram danificados ou destruídos. Hospitais, infraestruturas civis e centros logísticos foram alvos diretos ou colaterais. O céu da Ucrânia foi iluminado por explosões e pelos rastros dos sistemas antiaéreos, que conseguiram interceptar boa parte das ameaças: 266 drones e 45 mísseis foram neutralizados, mas o restante causou danos profundos e irreversíveis.
Esse episódio é mais do que um dado estatístico ou manchete de noticiário. É um brado de sofrimento que ecoa nas entranhas da civilização cristã. A guerra, ensina a Igreja, é sempre uma derrota da humanidade. O Catecismo da Igreja Católica é claro:
“A injustiça, a excessiva ambição e o orgulho, as rivalidades, os conflitos de interesses e as ideologias são causas permanentes da guerra. Tudo o que se faz para eliminá-las contribui para construir a paz e evitar a guerra.” (CIC, §2317)
Não se trata apenas de números, mas de almas feridas, de mães que choram, de crianças arrancadas de seus leitos pela explosão de um míssil. A vida humana — dom sagrado e inviolável — é mais uma vez pisoteada por interesses geopolíticos, nacionalismos exacerbados e ressentimentos históricos transformados em combustível de morte.
Neste ataque brutal, vemos o cumprimento doloroso das palavras de São João Paulo II, que advertia:
“A guerra não é nunca uma fatalidade: ela é sempre uma derrota da humanidade. É tempo de eliminar da história as guerras. Não à guerra, nunca mais à guerra!” (Angelus, 2003)
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy reagiu com veemência, denunciando o ataque como um ato de terrorismo deliberado. Sua crítica não se limitou à Rússia: ele também cobrou da comunidade internacional — em especial dos Estados Unidos e da União Europeia — uma resposta mais firme, tanto em termos de sanções quanto no apoio à defesa aérea da Ucrânia.
De fato, a resposta do Ocidente continua morna, hesitante e estratégica. A omissão dos poderosos diante da injustiça já foi condenada pela doutrina social da Igreja, que adverte:
“As nações mais poderosas são moralmente obrigadas a auxiliar os povos que não têm condições de se proteger sozinhos.” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n. 440)
Permitir que a Rússia utilize drones e mísseis para bombardear áreas civis sem reação proporcional e imediata da comunidade internacional é mais do que falha diplomática — é cumplicidade por omissão.
Enquanto a destruição se alastrava na Ucrânia, no mesmo dia, Rússia e Ucrânia realizaram uma troca rara de prisioneiros: mais de 600 pessoas foram libertadas. Esse gesto, embora positivo, foi imediatamente obscurecido pelo bombardeio seguinte, que deixou clara a hipocrisia da diplomacia bélica: fala-se de paz enquanto se prepara a morte.
A Igreja ensina que a paz verdadeira só pode ser edificada sobre os alicerces da justiça:
“A paz não é simplesmente ausência de guerra; não se reduz ao equilíbrio das forças adversas, nem nasce de uma dominação despótica, mas é fundada na justa ordenação das coisas e no respeito à dignidade da pessoa humana.” (Gaudium et Spes, n. 78)
Negociar a paz enquanto se dispara mísseis é como desejar cura enquanto se derrama veneno. A verdadeira paz exige conversão de coração, arrependimento real, justiça restaurativa e — sobretudo — reconhecimento do mal cometido.
É impossível, para um cristão, observar o sofrimento do povo ucraniano sem lembrar da Paixão de Nosso Senhor. Homens e mulheres apavorados, crianças sem rumo, hospitais transformados em campos de refugiados… tudo isso grita por compaixão e reparação.
Cristo continua sendo crucificado nos inocentes que morrem sob os escombros, nos idosos deixados para trás, nos sacerdotes e religiosas que não abandonam os fiéis mesmo sob as bombas. A guerra é, nesse sentido, uma anti-liturgia: enquanto a Missa nos dá a Vida, a guerra distribui a morte. Enquanto a Cruz salva, os mísseis destroem.
A resposta católica diante desse horror deve ser, antes de tudo, espiritual e profética. Devemos intensificar nossas orações, jejuns e penitências pela paz. Mas isso não basta. O Papa Bento XVI nos lembrava:
“Onde Deus é negado, o respeito pela dignidade humana e pela justiça também é ameaçado. Por isso, onde quer que haja uma ferida aberta como esta guerra, é missão dos cristãos agir como fermento de reconciliação.” (Discurso à ONU, 2008)
Cada católico, cada paróquia, cada bispo deve se perguntar: o que podemos fazer? Como podemos acolher refugiados? Como podemos denunciar essa barbárie em alto e bom som? Como podemos oferecer ajuda concreta e espiritual?
O maior ataque da Rússia à Ucrânia desde 2022 não é apenas mais uma página sangrenta da história contemporânea. É um apelo à nossa consciência católica. É um grito que atravessa os céus e pede resposta dos homens de fé.
A paz virá, sim, mas somente quando os corações se converterem. Como disse Nossa Senhora em Fátima:
“Rezai o terço todos os dias, para alcançar a paz para o mundo e o fim da guerra.”
Não basta lamentar. É preciso ajoelhar-se, levantar-se e agir. A neutralidade, neste momento, é uma traição à verdade, à justiça e ao Evangelho.