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Crédito: Reprodução da Internet
A Sagrada Comunhão é o ponto culminante da participação na Santa Missa, na qual o fiel se une ao Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não é apenas um gesto simbólico ou um ato de memória: é uma união real com o próprio Cristo, conforme o ensinamento perene da Igreja. Diante de tamanho mistério, o que deve fazer o fiel durante e após a recepção da Eucaristia? Esta é uma pergunta que exige uma resposta profunda, fundamentada na Tradição, na doutrina e na experiência mística da Igreja.
Ainda que o foco deste artigo seja o “durante” e o “após” a Comunhão, é impossível separar completamente esses momentos da disposição interior anterior. Santo Tomás de Aquino ensina que, para frutificar espiritualmente da Eucaristia, é necessário recebê-la em estado de graça. A comunhão recebida em pecado mortal é um sacrilégio (1Cor 11,27-29). Por isso, é essencial a confissão sacramental prévia, quando necessária.
Além disso, é recomendável um jejum eucarístico de ao menos uma hora, como ensina o Código de Direito Canônico (Cân. 919), além de um recolhimento orante, evitando dispersões antes da Missa. A tradição da Igreja sempre valorizou práticas como a oração do Ato de Contrição, a meditação silenciosa, ou até o uso de devocionários eucarísticos antes da comunhão.
Na tradição litúrgica, a maneira como o fiel se aproxima da Eucaristia é de enorme importância. A postura do corpo é um espelho da disposição da alma. A Igreja sempre incentivou a aproximação com humildade e reverência. Durante séculos, a prática comum foi a comunhão de joelhos e na boca, uma postura que expressa adoração, pequenez e fé na presença real. Essa forma continua sendo plenamente legítima e, para muitos santos, a mais condizente com o mistério celebrado.
Na fila para comungar, é adequado manter-se em oração silenciosa, preferencialmente com os olhos baixos e o coração elevado. Diversos santos recomendam invocar Nossa Senhora, pedindo que ela nos empreste seu coração puro para receber seu Filho. Outros sugerem a repetição de jaculatórias como:
A própria estrutura da Comunhão cristã tem raízes no rito da ceia pascal judaica (Pessach), da qual Jesus participou com seus discípulos na Última Ceia. No ritual judaico, a refeição não era apenas um banquete, mas um memorial sagrado da libertação do Egito. A Páscoa cristã, em sua plenitude, é a libertação do pecado. Assim como os hebreus se preparavam com rigor para comer o cordeiro pascal (Êx 12), também nós devemos preparar nosso interior e nos revestir de temor e gratidão diante do Cordeiro de Deus.
O tempo após a Comunhão é chamado por muitos santos de “o tempo de ouro”. Trata-se de um momento precioso de intimidade com Jesus, que permanece substancialmente presente em nós por cerca de 15 minutos após a recepção da Hóstia Consagrada — até que as espécies eucarísticas se dissolvam.
Santa Teresa d’Ávila dizia que, nesse momento, “não devemos desperdiçar o tempo com distrações ou conversas”, mas fazer companhia ao Senhor com amor e devoção. É recomendável permanecer de joelhos, ou sentado com recolhimento, em profunda oração. Algumas práticas comuns incluem:
Santo Afonso de Ligório recomendava permanecer em silêncio com o Senhor e escutá-Lo. Não é momento de pressa, mas de repouso na presença do Esposo da alma.
No rito tradicional latino, há belíssimas orações de ação de graças após a Comunhão. Um exemplo é a oração de São Tomás de Aquino:
“Ofereço-Te, ó Pai Santo, Deus eterno e todo-poderoso, este sacrifício sem mancha, que o meu indigno servo recebeu neste altar, em honra do teu santo nome…”
Essas orações são tesouros espirituais que ajudam o fiel a prolongar os efeitos da Comunhão na alma.
Maria, que primeiro recebeu Jesus em seu seio virginal, é o modelo perfeito de como se comportar após a Comunhão. A sua atitude de silêncio, recolhimento e adoração durante a visita de Jesus em seu ventre é imagem do que somos chamados a viver ao recebê-Lo sacramentalmente.
Receber bem a Eucaristia não termina com o final da Missa. Os frutos dessa união devem se manifestar na vida concreta:
Santo João Maria Vianney dizia: “A Comunhão é ao cristão o que a lenha é ao fogo”. Contudo, se não houver oração, mortificação e vigilância, esse fogo se apaga. Por isso, o católico deve buscar viver a liturgia da vida, levando Cristo com ele no cotidiano — no trabalho, nas relações, nas lutas interiores.
A Sagrada Comunhão é o ápice da vida cristã, como ensina o Concílio Vaticano II (Lumen Gentium, 11). Não é um rito mecânico, mas um encontro vivo com o Ressuscitado. Cada comunhão bem feita é um passo na direção da santidade. Cada ação de graças é um ensaio do céu.
Se formos fiéis a este mistério, como tantos santos o foram — São Tarcísio, que morreu defendendo a Eucaristia; São Padre Pio, que chorava ao comungar; ou Santa Teresinha, que dizia que a primeira comunhão foi o dia mais belo da sua vida —, também nós experimentaremos os frutos sobrenaturais dessa união divina.
A Comunhão não se encerra quando termina a Missa. Ela continua em nós, e por nós, no mundo.