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Crédito: Reprodução da Internet
Aarão surge no cenário bíblico como descendente direto de Levi, filho de Amram e Joquebede (cf. Êx 6,20). Era três anos mais velho que Moisés (cf. Êx 7,7). Viveu durante o tempo da opressão dos hebreus no Egito, tendo, como o irmão, experimentado o sofrimento do povo sob o jugo do faraó.
Seu nome em hebraico, Aharon, possui etimologias diversas propostas pelos estudiosos: “homem iluminado”, “montanha de força” ou, segundo alguns, “instrutor”. A Bíblia não explica o significado, mas o nome se tornaria inseparável da história da libertação do povo hebreu.
Moisés, chamado por Deus para libertar Israel, alegou lentidão de língua (Êx 4,10). Então o Senhor designou Aarão como seu porta-voz:
“Ele falará por ti ao povo; ele te servirá de boca, e tu lhe servirás de Deus” (Êx 4,16).
Aarão, portanto, é introduzido como eloquente, representante do irmão perante faraó e o povo. Já aqui se vislumbra a função sacerdotal que a tradição católica enxerga em Aarão: aquele que intercede, fala e oferece sacrifícios em nome de outros.
Aarão está ao lado de Moisés diante do faraó, realizando sinais prodigiosos (cf. Êx 7,1-12). É com ele que Moisés enfrenta as pragas do Egito, uma sequência de milagres que revelam o poder do Deus de Israel sobre os deuses egípcios.
Durante o êxodo, Aarão exerce funções sacerdotais iniciais, mesmo antes de sua ordenação oficial, apresentando ofertas e exercendo liderança (cf. Êx 19,24).
No entanto, a Bíblia também narra as quedas de Aarão. O episódio do bezerro de ouro (Êx 32) o envolve diretamente. O povo, impaciente com a demora de Moisés no Sinai, exige:
“Faze-nos um deus que vá adiante de nós” (Êx 32,1).
Aarão cede à pressão, fabrica o ídolo e permite o culto idolátrico. Contudo, a tradição católica vê nesse episódio a lição de que até os escolhidos de Deus são frágeis — não para nos escandalizar, mas para demonstrar que a fidelidade de Deus não depende da perfeição humana. São Jerônimo, comentando Êxodo, afirma:
“Não devemos nos escandalizar se Aarão caiu, pois Deus permite quedas para ensinar humildade e mostrar que só Ele é infalível.”
No Sinai, Deus institui o sacerdócio. Aarão é ungido Sumo Sacerdote (cf. Êx 28–29). Recebe vestes sagradas: túnica, efod, peitoral com doze pedras, mitra, tudo carregado de simbolismos:
No livro do Levítico, Deus dita regras detalhadas sobre ritos sacrificiais, pureza, alimentos, funções sacerdotais, revelando a santidade que Ele exige de Seu povo. Aarão torna-se mediador entre Deus e os homens, figura do sacerdócio que, segundo a fé católica, encontra cumprimento definitivo em Cristo, único Sumo Sacerdote (cf. Hb 4,14-16).
O Catecismo da Igreja Católica recorda essa tipologia:
“O sacerdócio do Antigo Testamento, sobretudo o de Aarão, foi figura do único sacerdócio de Cristo, ‘segundo a ordem de Melquisedec’, que se realiza plenamente na Nova Aliança” (CIC 1544).
Em Números 16, ocorre a rebelião de Corá, Datã e Abiram, que contestam o sacerdócio exclusivo de Aarão. Para confirmar o escolhido, Deus faz florescer a vara de Aarão (cf. Nm 17,8). O milagre indica que o sacerdócio não é ambição humana, mas dom divino.
A vara de Aarão, guardada na Arca da Aliança (cf. Hb 9,4), é figura de Cristo, renovação e vida, mesmo onde tudo parecia morto.
Contudo, Aarão também sofre as consequências das murmurações do povo. Quando, em Meribá, ele e Moisés desobedecem à ordem de Deus, não santificando-O diante do povo, recebem a pena de não entrar na Terra Prometida (cf. Nm 20,12). Aqui, a tradição católica vê o rigor da justiça divina, mas também a pedagogia de Deus, que não deixa o pecado sem correção.
Deus ordena que Aarão morra no Monte Hor (cf. Nm 20,22-29). Diante do povo, Moisés retira as vestes sacerdotais de Aarão e as passa para seu filho Eleazar, assegurando a continuidade do sacerdócio.
A morte de Aarão é carregada de solenidade. Segundo a tradição judaica, ele morreu no primeiro dia do quinto mês, que corresponde no calendário moderno ao dia 1º de julho, data em que a Igreja Católica celebra sua memória.
A tradição cristã venerou Aarão como santo, reconhecendo nele não apenas a figura do sacerdote, mas também o símbolo daquele que, apesar das quedas, permaneceu servo fiel, precursor da obra sacerdotal de Cristo.
Embora Aarão não figure com a mesma popularidade dos santos do Novo Testamento, a Igreja o venera como santo e profeta. É mencionado no Martirológio Romano em 1º de julho:
“No monte Hor, Santo Aarão, irmão do bem-aventurado Moisés, constituído pelo Senhor sacerdote da Antiga Lei.”
Na arte cristã, aparece com as vestes sacerdotais do Antigo Testamento, segurando a vara florida ou o turíbulo. O culto a Aarão não possui liturgia própria extensa, mas é reconhecido como modelo do sacerdócio ordenado.
Para a fé católica, a figura de Aarão ensina verdades profundas:
Aarão não é apenas uma figura do Antigo Testamento relegada ao passado. Para a Igreja Católica, ele permanece tipo do sacerdócio eterno de Cristo, e recordá-lo em 1º de julho é reviver a história da salvação. Santo Aarão ensina-nos sobre eleição, serviço, fraqueza humana e a fidelidade imutável de Deus.