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Crédito: Reprodução da Internet
Há algo de profundamente providencial em celebrar São Carlo Acutis justamente no dia 12 de outubro, quando o Brasil também se volta à sua Padroeira, Nossa Senhora Aparecida. O jovem italiano, apóstolo da Eucaristia e da internet, encontrou no povo brasileiro uma terra fértil para seu testemunho. É como se Maria, Mãe da Igreja, tivesse querido unir, nesse mesmo dia, o coração materno que acolhe e o coração jovem que evangeliza.
Carlo nasceu em Londres, mas cresceu em Milão, dentro de uma família católica apenas de nome. Foi a própria curiosidade espiritual do menino que despertou a fé em casa. Ainda pequeno, mostrava um amor incomum por Jesus Eucarístico. Aos sete anos pediu para fazer a Primeira Comunhão — e a partir daí, a Santa Missa e a adoração diária tornaram-se o centro da sua vida. Ele dizia: “Quanto mais recebemos a Eucaristia, mais nos tornamos semelhantes a Jesus.”
Mas Carlo não era um “anjinho” enclausurado: jogava videogame, andava de bicicleta, usava o computador. A diferença é que usava tudo isso como instrumento de evangelização, criando um site com catalogação dos milagres eucarísticos do mundo. Com o tempo, essa exposição digital tornou-se itinerante e, anos mais tarde, viajaria por dezenas de dioceses brasileiras, inspirando jovens e catequistas.
A ligação profunda entre o Brasil e Carlo nasceu de um fato concreto: o milagre reconhecido pela Igreja para sua beatificação.
Em 2013, na cidade de Campo Grande (MS), um menino chamado Matheus Vianna, de apenas três anos, sofria de uma rara doença congênita que comprometia seu pâncreas. Ele não podia comer nem digerir alimentos sólidos. Sua família, católica, acompanhava com fé o processo de Carlo, cuja fama de santidade já se espalhava.
Em um dia de desespero, a mãe do menino rezou diante de uma relíquia de Carlo e pediu sua intercessão. Pouco depois, Matheus comeu uma refeição completa sem sentir dor alguma. Os exames seguintes mostraram que o pâncreas havia se regenerado totalmente. Os médicos ficaram perplexos.
O caso foi submetido à Congregação para as Causas dos Santos, e após longos anos de estudo e pareceres médicos, o Papa Francisco reconheceu o milagre oficialmente. Foi o Brasil que levou Carlo ao altar da Igreja Universal.
Desde então, a devoção cresceu como fogo em palha seca. As imagens de Carlo se multiplicaram em capelas, escolas católicas e grupos de jovens. Não é devoção superficial: é amor por um exemplo real de santidade possível. Jovens brasileiros se identificam com ele porque Carlo não foi um mártir nem um monge — foi um estudante que usava calça jeans e tênis, navegava na internet e enfrentava o desafio de viver a fé num mundo saturado de distrações.
Em várias cidades, surgiram testemunhos de graças alcançadas. Uma professora do interior de São Paulo contou que, após rezar a novena de Carlo, encontrou forças para vencer uma depressão profunda. Um grupo de universitários em Belo Horizonte decidiu consagrar o próprio uso das redes sociais ao Sagrado Coração de Jesus, inspirados na vida do santo. E há paróquias inteiras que, nas quartas-feiras, dedicam a adoração ao Santíssimo “com Carlo”, meditando trechos de seus escritos.
É impossível ignorar a coincidência divina: Carlo Acutis e Nossa Senhora Aparecida são celebrados no mesmo dia.
Ambos nos apontam o mesmo caminho: humildade, simplicidade e amor profundo a Cristo. Carlo costumava repetir: “A Eucaristia é a minha estrada para o céu.” Já Maria é chamada pela Igreja de “mulher eucarística”, pois carregou em si o Corpo de Cristo.
Essa ligação espiritual faz do Brasil um cenário perfeito para a difusão de sua devoção. Aqui, onde o povo católico tem o coração aberto e caloroso, o testemunho de Carlo encontrou eco imediato. Ele fala a uma geração que ama o digital, mas tem fome do transcendente.
Em setembro de 2025, o Papa Francisco proclamou oficialmente a canonização de Carlo Acutis, em Roma. A data escolhida — 7 de setembro — foi providencialmente o Dia da Independência do Brasil. Muitos viram nesse gesto um sinal de gratidão da Igreja à nação que lhe ofereceu o milagre. Delegações brasileiras viajaram a Assis para participar da celebração, levando bandeiras, terços e relíquias secundárias.
Um grupo de jovens brasileiros relatou ter sentido uma paz indescritível ao visitar o corpo incorrupto de Carlo, exposto no Santuário do Despojamento. “Era como se ele estivesse dormindo. E parecia sorrir”, disseram. Naquele dia, muitos prometeram viver a santidade como ele — com alegria, pureza e amor à Eucaristia.
Carlo foi chamado de “influencer de Deus” — expressão que hoje soa quase profética. Ele via a internet não como inimiga da fé, mas como campo de missão. “A internet é um dom de Deus, se usada para o bem”, dizia.
No Brasil, seu exemplo inspirou inúmeros projetos de evangelização digital: canais católicos, perfis devocionais, podcasts e aplicativos de oração. Jovens designers, programadores e comunicadores passaram a enxergar o próprio trabalho como apostolado. A santidade deixou de ser um ideal distante e tornou-se algo que se vive no cotidiano, inclusive diante de uma tela.
Milagres visíveis são raros, mas as graças silenciosas se multiplicam. Há testemunhos de conversões em confissão, reconciliações familiares, curas interiores e vocações religiosas inspiradas por Carlo.
Na Arquidiocese de Campo Grande, onde ocorreu o milagre, ergueu-se um pequeno santuário em honra a ele. Jovens caminham quilômetros para rezar ali, deixando cartas e objetos. Uma delas escreveu: “São Carlo, ajuda-me a ser pura e alegre como tu foste.”
É essa pureza que o Brasil reconhece e ama — não a ingenuidade, mas a limpidez de um coração que vê Deus em tudo. Carlo dizia: “A tristeza é olhar para si mesmo; a felicidade é olhar para Deus.” E os brasileiros aprenderam com ele a olhar para o alto.
São Carlo Acutis não reinventou o cristianismo — apenas o viveu com radicalidade. Rezava o Rosário todos os dias, confessava-se semanalmente, comungava diariamente e oferecia pequenas penitências por amor a Jesus. “A santidade é o atalho mais rápido para a felicidade”, escreveu no seu diário.
Não há nada de fácil ou sentimental em sua espiritualidade. É a tradição católica vivida em plenitude: amor à Missa, à confissão, à caridade e à pureza. Essa coerência é o que mais encanta o povo brasileiro, que intui a autenticidade quando a vê.
Hoje, São Carlo Acutis é patrono de várias iniciativas de evangelização digital no Brasil. Há paróquias que levam seu nome, escolas que o adotaram como intercessor e dioceses que realizam congressos eucarísticos inspirados em sua vida. Sua imagem, sempre sorridente e serena, se tornou símbolo de esperança em meio à confusão moral e tecnológica de nossa era.
Carlo é a prova viva de que a santidade não é coisa de convento, mas de coração. E o Brasil, com sua fé vibrante e sua devoção mariana, o reconhece como um dos seus.
São Carlo Acutis conquistou o Brasil porque nos lembra o essencial: a santidade é simples, possível e profundamente alegre.
Num país que ama Maria e vive a Eucaristia com intensidade, Carlo tornou-se um irmão mais novo, apontando o mesmo Cristo que sempre guiou o coração brasileiro.
Em cada missa, em cada jovem que se confessa, em cada computador usado para evangelizar, o sorriso de Carlo parece ecoar sua frase mais célebre: “Todos nascem originais, mas muitos morrem como cópias.”
Que o Brasil continue sendo terreno fértil para originais de Deus — santos do século XXI que, como ele, transformem a vida comum em altar.
São Carlo Acutis, rogai por nós!