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Crédito: Reprodução da Internet
Em toda a Sagrada Escritura, São José não pronuncia uma única palavra. Mas seu silêncio fala mais alto do que discursos. Ele é o homem do sim silencioso, da obediência pronta, da coragem escondida. Chamado pelo Evangelho de “homem justo” (Mt 1,19), ele se torna prova viva de que santidade não é fazer muito barulho, mas ser fiel a Deus no concreto da vida. Seu silêncio é cheio de presença — presença de fé, de amor, de confiança inabalável.
Nos séculos que antecederam Cristo, as Escrituras guardavam em figura e promessa o papel de José. Filho de Davi, José foi escolhido para inserir Jesus na linhagem régia, cumprindo as profecias (cf. 2Sm 7,12-16). O Papa Leão XIII, na encíclica Quamquam Pluries (1889), recorda que a ele foi confiada “a guarda do depósito dos maiores e mais preciosos tesouros de Deus”: Jesus e Maria. É com José que Deus sela o elo final entre as esperas do Antigo Testamento e a luz radiante da Encarnação.
José viveu dramas profundos. Ao descobrir que Maria estava grávida, sem saber ainda do mistério da Encarnação, viu-se entre a lei e o amor. Quis deixá-la “secretamente” (Mt 1,19), não por desconfiança, mas para poupá-la do escândalo ou até da morte por apedrejamento (cf. Dt 22,23-24). Deus, porém, rompe as trevas do medo:
“José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo.” (Mt 1,20)
José não questiona. Obedece. E nesse silêncio brota a mais firme fé, aquela que não exige explicações, apenas confia. Que força há num coração capaz de crer quando tudo parece incompreensível!
Com suas mãos calejadas de carpinteiro, José sustentou o Verbo Encarnado e Sua Mãe. É dele a responsabilidade de salvar o Menino da fúria de Herodes, conduzindo a Sagrada Família ao Egito (cf. Mt 2,13-15). Cada passo é orientado pela voz de Deus, e José obedece sem hesitar. Bento XVI, em Verbum Domini (2010), o exalta como o homem que “ouve a Palavra de Deus e a põe em prática.”
Não é apenas o guardião do lar de Nazaré, mas modelo para todos os que protegem a vida, a fé e a família. E como precisamos, hoje, do exemplo desse pai vigilante!
O título de “Padroeiro da Igreja Universal” foi solenemente proclamado pelo Beato Pio IX em 8 de dezembro de 1870, por meio do decreto Quemadmodum Deus, em um tempo de grandes perseguições políticas e ideológicas contra a Igreja. O Papa reconheceu que, assim como José protegeu Jesus e Maria, continua protegendo a Igreja, Corpo Místico de Cristo.
São João Paulo II, na exortação Redemptoris Custos (1989), aprofunda essa visão ao afirmar:
“Assim como cuidou com amor de Maria e dedicou-se com alegre empenho à educação de Jesus Cristo, assim também guarda e protege o seu Corpo Místico.”
Sob o manto de José, a Igreja encontra amparo nas tempestades do mundo. É consolador saber que aquele que segurou nos braços o Salvador do mundo é o mesmo que segura, hoje, a Barca de Pedro.
O Papa Pio XII instituiu, em 1955, a festa de São José Operário em 1º de maio, para afirmar que o trabalho é participação na obra criadora de Deus e não mero instrumento de exploração. José é exemplo de quem santifica o ordinário, transformando madeira e martelo em altar de santidade.
Ele ensina que até as tarefas mais humildes, feitas por amor, têm valor eterno. Como consola saber que Deus olha até para o mais pequeno prego batido na carpintaria de Nazaré!
A tradição cristã vê São José como Patrono dos Moribundos, pois teria morrido nos braços de Jesus e Maria. São Francisco de Sales recomendava que todos pedissem a ele a graça de uma morte santa. José, que protegeu a vida de Cristo, há de proteger a nossa passagem para a eternidade. É doce pensar que ele, que segurou Deus Menino no colo, nos receberá também, se formos fiéis, na hora derradeira.
O Papa Francisco, na carta apostólica Patris Corde (2020), dedica um ano inteiro a São José e o descreve como pai terno, obediente, corajoso e criativamente amoroso. Francisco enxerga nele aquele que “ama com coragem criativa”, encontrando saídas quando tudo parece fechado. O Santo Padre também nos convida a ver, no rosto de José, o rosto de todos os que passam despercebidos, mas sustentam o mundo com o trabalho simples e a fidelidade silenciosa.
Se há um tempo que clama por São José, é o nosso. Vivemos ataques ferozes contra a família, o matrimônio, a pureza, a paternidade, a fé e a vida interior. José é antídoto poderoso contra o caos moderno. Ele nos ensina:
Num mundo que idolatra a autopromoção, José nos recorda que os verdadeiros gigantes da fé são aqueles que vivem escondidos em Deus.
Recorrer a São José é buscar refúgio no homem a quem o próprio Deus se submeteu. Ele que protegeu Maria e Jesus, protegerá cada filho da Igreja. Ele que amparou o Salvador com braços fortes, é hoje escudo seguro contra as tempestades da vida.
Como ensina Leão XIII:
“A Igreja Católica sempre confiou e confia na proteção de São José, pois a missão que outrora exerceu com toda dedicação junto à Sagrada Família de Nazaré, continua agora na Igreja de Cristo.”
Que aprendamos de José a amar o escondimento, a confiar sem reservas, a trabalhar com alegria e a guardar nossos corações na fidelidade silenciosa. Debaixo de seu manto, há lugar para todos nós.
Se Maria foi a Capela do Santíssimo, São José foi a Catedral que os guardou.
São José, Padroeiro da Igreja Universal, rogai por nós!