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Crédito: Reprodução da Internet
Poucos casais na história da Igreja Católica ocupam lugar tão luminoso quanto Luís Martin (1823-1894) e Zélia Guérin Martin (1831-1877). Pais de nove filhos, entre eles Santa Teresinha do Menino Jesus, os dois foram canonizados juntos pelo Papa Francisco em 18 de outubro de 2015, durante o Sínodo da Família. Não há aqui romantização ingênua: a santidade deles brotou da vida cotidiana, do trabalho, das doenças, das preocupações financeiras e das perdas dolorosas. São testemunho concreto de que a vocação à santidade passa, necessariamente, pela vida familiar bem vivida, segundo o Magistério da Igreja.
Luís, filho de um militar francês, nasceu em Bordeaux e desejou ser sacerdote, mas não conseguiu aprender latim o suficiente para entrar no seminário. Tornou-se relojoeiro, profissão que exerceu com retidão e perícia. Zélia nasceu em Gandelain e, após tentativas frustradas de entrar para a vida religiosa, tornou-se rendeira de bilros — uma renda delicada, muito valorizada na região de Alençon. Também ela foi empresária de sucesso, dirigindo seu ateliê com firmeza e justiça.
Em 13 de julho de 1858, Luís e Zélia se encontraram na ponte de Saint-Léonard, em Alençon. A tradição familiar conserva a frase que Zélia interiormente ouviu naquele instante: “Este é o homem que preparei para ti.” Casaram-se três meses depois, em 12 de julho de 1858, na igreja de Notre-Dame d’Alençon.
Nos primeiros meses, decidiram viver o matrimônio em castidade perfeita, mas um confessor os ajudou a compreender que a sua vocação conjugal incluía a abertura à vida. Deus os abençoou com nove filhos: quatro morreram ainda pequenos, mas cinco sobreviveram — todas meninas, todas entraram na vida consagrada. A mais célebre delas foi Teresa Martin, a Pequena Flor, proclamada Doutora da Igreja por São João Paulo II em 1997.
A vida dos Martin não foi isenta de sofrimento. Além das mortes de quatro filhos, Zélia padeceu longos anos com um câncer no seio. Morreu aos 45 anos, em 28 de agosto de 1877, após prolongada agonia oferecida em união aos sofrimentos de Cristo. Luís, por sua vez, passou os últimos anos debilitado por arteriosclerose e períodos de perda de lucidez, que ele suportou com admirável serenidade.
Em suas cartas, Zélia revelou profunda espiritualidade. Escrevia que desejava “ser santa”, mas reconhecia a dificuldade. Rezava constantemente, frequentava os sacramentos, fazia o bem aos pobres. Luís, homem calado, também cultivava vida interior intensa: madrugava para a Missa, fazia peregrinações, rezava o Ofício Divino e ajudava discretamente os necessitados.
A canonização de Luís e Zélia é histórica: foram os primeiros cônjuges canonizados juntos não como mártires, mas como esposos e pais. Esse fato ecoa as palavras do Concílio Vaticano II (Lumen Gentium, 41), que ensina que a santidade está acessível a todos os estados de vida, inclusive os casados, “segundo o próprio modo de vida”.
São João Paulo II, na Familiaris Consortio (n. 13), declarou que o matrimônio é “caminho de santidade” e lugar privilegiado para se crescer no amor de Deus. Luís e Zélia personificam essa doutrina. O Papa Bento XVI, na canonização de Santa Teresinha, também destacou o ambiente familiar como solo fértil para as vocações: “Nas famílias cristãs bem unidas e fiéis ao Evangelho, germinam e crescem as vocações.”
O Papa Francisco, no Angelus de 18 de outubro de 2015, afirmou que Luís e Zélia viveram “a alegria da fé no cotidiano, dando testemunho heroico do amor cristão.” Eles tornaram-se, assim, ícones da família cristã para o século XXI, sobretudo num tempo em que o matrimônio sofre ataques culturais e legais.
O casal Martin ensina algo crucial: a santidade não se faz só de êxtases místicos ou grandes obras públicas. Ela se constrói na labuta diária — nas contas a pagar, nos filhos doentes, na oração fiel, nos sacramentos, na mansidão frente às dificuldades, na firmeza de princípios.
Para os casais católicos, Luís e Zélia são faróis. Eles mostram que:
São Luís e Santa Zélia são patronos de casais, pais, mães, viúvos, famílias, e especialmente de casais que sofrem a perda de filhos ou enfrentam doenças graves. Sua festa litúrgica é celebrada em 12 de julho, data de seu matrimônio.
Não se pode entender Santa Teresinha do Menino Jesus sem Luís e Zélia. O lar Martin foi uma escola da “pequena via”: confiança ilimitada em Deus, abandono filial, amor ao próximo. O lar se tornou o primeiro mosteiro de Teresa. Foi nesse ambiente que germinaram virtudes que a tornariam Doutora da Igreja.
Santa Teresinha escreveu sobre o pai: “Deus me deu um pai mais digno do Céu do que da terra.” E sobre a mãe: “Nunca vi minha mãe sem o terço nas mãos.” O heroísmo simples dos Martin foi o adubo espiritual que fez florescer a santidade extraordinária de sua filha — e, por extensão, de toda a família.
A história de Luís e Zélia não é só para contemplação devota; é para imitação. Algumas formas práticas de inserir o seu exemplo na vida católica:
Num tempo em que o matrimônio sofre fragilidade e onde muitos duvidam da possibilidade de amar “até que a morte os separe”, São Luís e Santa Zélia Martin são prova viva de que o amor humano, elevado pela graça, é capaz de conduzir homens e mulheres à união eterna com Deus.
Que eles intercedam pelas famílias do nosso tempo, para que, como eles, encontrem na fé, na oração e no amor sacrificial o caminho seguro para a santidade.
São Luís Martin e Santa Zélia Martin, rogai por nós!