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Crédito: Reprodução da Internet
São Mateus, comemorado no dia 21 de setembro, ocupa um lugar de destaque na tradição da Igreja Católica Apostólica Romana. Reconhecido não apenas como apóstolo, mas também como evangelista inspirado pelo Espírito Santo, Mateus deixou-nos o primeiro evangelho canônico, oferecendo um testemunho profundo da vida, ensinamentos, morte e ressurreição de Jesus Cristo. A memória litúrgica deste santo nos convida a refletir sobre a fidelidade à vocação cristã, a importância do anúncio do Evangelho e a integração entre fé e vida cotidiana.
Mateus, também chamado Levi, era coletor de impostos em Cafarnaum quando Jesus o chamou. Segundo o relato do Evangelho de Mateus (Mt 9,9), Jesus o viu sentado na coletoria e disse: “Segue-me”. Este convite simples, porém radical, revela o coração do cristianismo: o chamado à conversão e à entrega total a Deus. A Igreja, ao longo dos séculos, sempre destacou a coragem e a prontidão de Mateus em abandonar uma profissão socialmente estável e moralmente questionável para seguir Cristo, exemplificando o poder transformador do encontro com o Senhor.
A tradição patrística, incluindo autores como Santo Irineu e São Jerônimo, identifica Mateus como aquele que escreveu para os judeus convertidos, demonstrando o cumprimento das promessas messiânicas do Antigo Testamento. Seu evangelho começa com a genealogia de Jesus, sublinhando sua linhagem davídica e a continuidade da obra salvífica de Deus. Essa preocupação com a história e a profecia reflete o zelo pastoral de Mateus em fundamentar a fé na revelação divina e na tradição de Israel, como sempre enfatizado pelo Magistério.
O evangelho de Mateus distingue-se por sua atenção à moralidade e à vida comunitária. Nele, encontramos o Sermão da Montanha (Mt 5-7), que sintetiza os princípios éticos e espirituais do cristianismo. O Papa Bento XVI, em sua obra “Jesus de Nazaré”, destaca que o evangelho mateano apresenta Jesus como o novo legislador, que não apenas cumpre a Lei, mas a eleva à dimensão do amor e da misericórdia. Os ensinamentos de Mateus insistem na interioridade da vida cristã, na necessidade de conversão do coração e na prática da justiça que vai além das normas externas.
A Igreja ensina que a leitura e a meditação do evangelho são instrumentos essenciais de santificação pessoal e comunitária. O Catecismo da Igreja Católica (CIC 1324-1327) afirma que a Sagrada Escritura “é a palavra de Deus confiada à Igreja, inspirada pelo Espírito Santo e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para instruir na justiça”. Nesse contexto, o evangelho de Mateus não é apenas um documento histórico ou literário, mas um guia vivo para a vida cristã, que convoca à ação conforme a vontade de Deus.
A tradição da Igreja sempre honrou Mateus como modelo de santidade e fidelidade. Ele é frequentemente representado na iconografia com um anjo ou um homem alado, simbolizando a inspiração divina de seu evangelho e sua preocupação com a humanidade de Cristo. Essa representação remonta à visão de Ezequiel e ao Livro do Apocalipse, que associam as figuras celestes aos evangelistas, reforçando a dimensão espiritual e profética de seu trabalho.
Santos e teólogos ao longo da história, como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, destacaram a profundidade teológica do evangelho mateano. São Tomás de Aquino, na sua Suma teológica, observa que Mateus enfatiza a realeza e a divindade de Cristo, apontando para a união perfeita entre justiça e misericórdia. Este equilíbrio é central para a espiritualidade católica, que busca viver a santidade sem dissociar fé e ação, teoria e prática, vida interior e compromisso social.
A celebração litúrgica de São Mateus no dia 21 de setembro é uma oportunidade para os fiéis aprofundarem a consciência do chamado cristão. A liturgia romana, seguindo o Missal Romano, apresenta leituras que evocam o tema da vocação e da resposta generosa a Deus. A coletânea de antífonas e orações da Igreja destaca a intercessão de Mateus para que os cristãos sejam fiéis em seguir Cristo, especialmente em meio às dificuldades e desafios do mundo contemporâneo.
Além da liturgia, a devoção popular a São Mateus reflete a veneração da Igreja por seus santos como modelos de vida virtuosa. Igrejas dedicadas a ele em diversas partes do mundo mantêm tradições de oração, novenas e festas locais, reforçando a continuidade entre fé, cultura e vida comunitária. O Papa João Paulo II, em diversos pronunciamentos, recordou que a vida dos santos serve como “espelho luminoso” para todos os cristãos, evidenciando que a santidade é acessível a todos que respondem ao chamado de Deus com coragem e fidelidade.
O exemplo de Mateus é particularmente relevante no contexto atual, marcado por desafios sociais, culturais e espirituais. Sua conversão de cobrador de impostos a apóstolo demonstra que nenhuma vida está fora do alcance da graça divina. Ele nos ensina que a vocação cristã exige compromisso, renúncia e uma profunda confiança em Deus, elementos essenciais para a evangelização no século XXI.
O Papa Francisco, em suas catequeses sobre os evangelistas, ressalta que Mateus mostra a dimensão pastoral do Evangelho: ele não escreve apenas para instruir, mas para transformar corações e comunidades. Essa visão continua a orientar a Igreja em sua missão evangelizadora, lembrando que o anúncio de Cristo não é apenas doutrinal, mas também ético e existencial, chamando todos os cristãos a viver a fé de maneira coerente e testemunhal.
São Mateus permanece como um farol para a Igreja e para cada fiel. Sua vida e seu evangelho nos convidam à conversão pessoal, à fidelidade à vocação cristã e ao compromisso com a justiça e a misericórdia. Celebrá-lo em 21 de setembro é mais do que recordar um personagem histórico; é renovar o chamado de Deus em nossas vidas, refletir sobre a responsabilidade de anunciar o Evangelho e reconhecer que, como Mateus, somos convidados a deixar o que nos impede de seguir Cristo plenamente.
A memória litúrgica de São Mateus, portanto, não é apenas uma festa de recordação, mas um convite contínuo à santidade, à evangelização e à vivência coerente da fé. Seu exemplo permanece atual, guiando a Igreja na missão de levar a Boa Nova a todos os povos, fortalecendo a vida comunitária e pessoal e iluminando o caminho da humanidade com a luz de Cristo.