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São Tomé

Crédito: Reprodução da Internet

São Tomé: O apóstolo que viu para crer

Tomé foi o apóstolo que precisou ver para crer, mas nos ensinou a fé que toca as chagas do Ressuscitado

Entre a coragem e a dúvida: quem foi Tomé de fato?

Hoje é dia de São Tomé, um dos Doze Apóstolos escolhidos por Nosso Senhor Jesus Cristo, surge no Evangelho como uma figura de contrastes: ousado em alguns momentos, reticente em outros. Seu nome aparece nos quatro evangelhos e nos Atos dos Apóstolos (Mt 10,3; Mc 3,18; Lc 6,15; Jo 11,16; At 1,13). Contudo, é no Evangelho de São João que ele se revela de modo mais profundo, especialmente no célebre episódio após a Ressurreição (Jo 20,24-29).

O nome “Tomé” vem do aramaico T’oma, que significa “gêmeo”, traduzido para o grego como Dídimo. A Tradição cristã preserva a interpretação de que Tomé seria chamado “gêmeo” não apenas por ter um irmão biológico (hipótese sem confirmação histórica), mas também – e sobretudo – porque, segundo antigos relatos cristãos, ele tinha feições muito parecidas com as de Jesus. É um detalhe frequentemente esquecido, mas aparece em alguns testemunhos patrísticos e textos apócrifos como o “Evangelho de Tomé” (não reconhecido pela Igreja, mas fonte de informações culturais sobre as crenças da época). Ainda que esses escritos não sejam canônicos, essa associação física permaneceu na tradição popular oriental, conferindo a Tomé um simbolismo especial: ele se parecia exteriormente com Cristo, mas precisou, no íntimo, ver para crer.

O Magistério da Igreja, contudo, jamais definiu dogmaticamente essa interpretação. O Catecismo da Igreja Católica (CIC) não menciona a questão física, mas reconhece o papel fundamental do testemunho apostólico na fé (cf. CIC, 642-647). Ou seja: a semelhança física é uma tradição curiosa, mas não elemento essencial da doutrina.

O “incrédulo” que professou a mais alta confissão de fé

Tomé entrou para o imaginário cristão mundial como o “apóstolo incrédulo”, mas essa é uma simplificação que faz até certa injustiça à sua figura. Antes da Ressurreição, o evangelho já o apresenta corajoso: quando Jesus decide voltar para a Judeia, apesar do risco de morte, Tomé exclama:

Vamos também nós para morrermos com Ele.” (Jo 11,16)

Após a Ressurreição, porém, Tomé não estava presente na primeira aparição de Jesus aos apóstolos. Quando lhe contam que viram o Senhor, ele solta a frase que se tornaria eterna:

Se eu não vir o sinal dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo no lugar dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei.” (Jo 20,25)

Oito dias depois, Jesus aparece novamente e, sem recriminar Tomé, convida-o a tocar suas chagas. É nesse instante que Tomé professa uma das maiores confissões de fé de toda a Sagrada Escritura:

Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20,28)

A resposta de Jesus ecoa até hoje no coração dos fiéis:

Porque me viste, creste. Bem-aventurados os que creram sem ter visto.” (Jo 20,29)

A tradição católica, ecoada pelos Padres da Igreja, sempre viu neste episódio não apenas uma lição para Tomé, mas para todos nós: crer é, muitas vezes, lançar-se além do que os olhos alcançam. Como ensina São Gregório Magno:

A incredulidade de Tomé foi mais proveitosa para a nossa fé do que a fé dos discípulos crentes, porque enquanto ele é conduzido a crer pelo toque, nossa mente é confirmada na fé, pondo fim à dúvida.” (Homilia 26 sobre os Evangelhos)

Evangelizador até os confins da terra

Pouco se fala, mas Tomé foi um dos apóstolos que mais longe levou o anúncio do Evangelho. A Tradição — especialmente nas Igrejas Orientais — atribui a ele a evangelização da Índia. Textos antigos, como os Atos de Tomé (não canônicos, mas com valor histórico-cultural), narram sua pregação entre os povos da Pérsia e da Índia, fundando comunidades cristãs.

Os cristãos chamados “Cristãos de São Tomé” (hoje conhecidos como cristãos sírio-malabares e sírio-malankaras) na região de Kerala, na Índia, afirmam ser descendentes diretos dos fiéis batizados por São Tomé. Já no século XVI, quando os portugueses chegaram à Índia, encontraram lá cristãos que diziam seguir a tradição apostólica de Tomé. Embora alguns estudiosos debatam se a presença dele chegou tão longe, o culto a São Tomé no Oriente é fortíssimo, e o Martirológio Romano reconhece seu martírio na Índia.

Segundo a tradição, São Tomé teria sido martirizado em Mylapore, perto de Chennai, na Índia, transpassado por lanças enquanto rezava. A Igreja celebra sua festa litúrgica em 03 de julho, data que substituiu a antiga comemoração de 21 de dezembro no Calendário Romano.

São Tomé e a fé católica: o mistério das chagas que curam

São Tomé se tornou, ao longo dos séculos, o padroeiro dos arquitetos, pedreiros e dos que buscam provas antes de crer. Mas, sobretudo, ele se converteu em ícone espiritual para todos nós que, em momentos de crise, desejamos “tocar” Deus para termos certeza de sua presença.

Em tempos modernos, o Papa Bento XVI recordou, numa catequese de 27 de setembro de 2006, a importância desse apóstolo:

O caso de Tomé é importante para nós, pois nos mostra que toda dúvida pode levar a um resultado mais luminoso, além da incerteza. Tomé experimentou primeiro a dúvida para chegar depois à plena certeza: do desânimo à fé mais profunda.

A pedagogia de Cristo com Tomé revela que o Senhor não teme nossas dúvidas, mas as acolhe para transformá-las em um encontro pessoal com Ele. E a Igreja ensina, com firmeza, que a fé cristã não é irracional: é resposta livre à Revelação divina, sustentada por testemunhos concretos — e nada mais concreto que as chagas gloriosas do Ressuscitado.

Tomé desejou tocar as feridas. Jesus o convidou não só a ver, mas a colocar o dedo e a mão. Ali, o “gêmeo” de Cristo – aquele que se lhe assemelhava fisicamente, segundo a tradição – passou também a assemelhar-se interiormente: não apenas pelas feições, mas pela fé viva que brotou de seu coração.

Quando precisamos tocar para crer

Quantos de nós não somos, em maior ou menor medida, Tomé? Diante do sofrimento, da dor ou das crises de fé, queremos provas. Queremos certezas tangíveis. E o Ressuscitado, com infinita misericórdia, ainda hoje nos mostra Suas chagas na Eucaristia, na Palavra, na Igreja e até mesmo nas feridas do mundo.

Crer sem ver não é uma fé cega, mas uma fé que enxerga com os olhos da alma. E São Tomé, que foi chamado “gêmeo” por sua semelhança física com Cristo, ensina-nos que, na fé, a maior semelhança possível com o Salvador é unir o coração às chagas gloriosas d’Ele.

Neste dia de São Tomé, deixemos que Cristo também nos diga:

Não sejas incrédulo, mas crente!” (Jo 20,27)

E que, com Tomé, possamos responder com toda a alma:

Meu Senhor e meu Deus!

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