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Mudanças nas Eleições

Crédito: Silvio Lamarque/EBC

Senado propõe fim da reeleição e unificação das eleições

Reforma propõe fim da reeleição, unificação dos pleitos e mandatos mais longos; Senado avalia impacto no equilíbrio democrático e no calendário eleitoral

O Senado Federal está analisando uma proposta de reforma no sistema eleitoral brasileiro que pode representar uma das maiores mudanças políticas desde a redemocratização. Entre os principais pontos em debate estão o fim da reeleição para cargos do Poder Executivo, a unificação das eleições em todos os níveis e a alteração da duração dos mandatos. As sugestões fazem parte do conjunto de três Propostas de Emenda à Constituição (PECs) elaboradas pelo senador Marcelo Castro (MDB-PI), relator da reforma do Código Eleitoral.

Propostas preveem fim da reeleição e mudanças na duração dos mandatos

As três PECs preveem o fim da reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos. Em contrapartida, os mandatos passariam a ter cinco anos de duração. No caso do Senado, os mandatos seriam estendidos para dez anos, mantendo-se o atual sistema de renovação por um terço e dois terços das cadeiras a cada eleição.

Essa mudança, segundo o relator, visa reequilibrar a disputa política e reduzir o uso da máquina pública para fins eleitorais, frequentemente apontado como vantagem indevida para ocupantes de cargos em busca da reeleição.

Três caminhos para a unificação das eleições

Para viabilizar a unificação dos pleitos municipais, estaduais e federais, as PECs apresentam três cenários distintos:

1. Manutenção do calendário atual, sem unificação

Nesse modelo, os prefeitos eleitos em 2024 teriam direito à reeleição em 2028, com mandato de cinco anos. Governadores e o presidente eleitos em 2026 também poderiam disputar novo mandato em 2030, igualmente de cinco anos. As eleições continuariam a ocorrer em ciclos alternados: eleições gerais em 2030, municipais em 2033 e gerais novamente em 2035, mantendo o revezamento a cada dois ou três anos.

2. Unificação em 2030 com mandato-tampão

Neste caso, os prefeitos eleitos em 2024 cumpririam um mandato regular de quatro anos. Em 2028, seriam realizadas eleições extraordinárias para um mandato tampão de apenas dois anos. A partir de 2030, todas as eleições seriam realizadas de forma simultânea — presidência, governos estaduais, prefeituras e legislativos.

3. Unificação em 2034 com mandato estendido

Essa proposta prevê que os prefeitos eleitos em 2028 assumam um mandato de seis anos, sem direito à reeleição. Os governadores e o presidente eleitos em 2026 também poderiam disputar um novo mandato em 2030, ainda com duração de quatro anos. Em 2034, todas as eleições seriam finalmente unificadas, e os mandatos passariam a ter cinco anos para todos os cargos, sem possibilidade de reeleição.

Outras mudanças previstas

Além das alterações nas datas e nos prazos dos mandatos, as propostas contemplam outras mudanças estruturais no sistema eleitoral. Entre elas, destaca-se a uniformização do período de inelegibilidade para qualquer cargo eletivo: oito anos a partir da condenação, independentemente da natureza da infração.

Também está prevista a padronização dos prazos de desincompatibilização, exigindo que todos os ocupantes de cargos públicos que desejem se candidatar a qualquer cargo eletivo se afastem de suas funções com, no mínimo, seis meses de antecedência.

Aplicação gradual e respeito à anterioridade

As mudanças, caso aprovadas, não terão efeito imediato. As eleições de 2024 e 2026 ocorrerão sob as regras atuais. O novo modelo, segundo o relator Marcelo Castro, começaria a valer a partir do ciclo eleitoral de 2028. A proposta respeita o princípio da anterioridade eleitoral, que determina que qualquer modificação nas regras do processo eleitoral deve ser aprovada pelo menos um ano antes da eleição a que se destina.

Discussão no Congresso

O tema vem sendo debatido em diversas comissões e encontra resistência e apoio em diferentes bancadas. Enquanto alguns parlamentares defendem a proposta como forma de baratear o processo eleitoral, aumentar a eficiência da gestão pública e diminuir a polarização constante, outros veem riscos de concentração de poder e dificuldades na mobilização política unificada.

As PECs ainda precisam passar por votação nas duas casas do Congresso Nacional e exigem aprovação por três quintos dos parlamentares, em dois turnos, tanto na Câmara quanto no Senado. A expectativa é que a tramitação ganhe força nos próximos meses, diante da proximidade do início oficial das campanhas para as eleições municipais de 2024

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