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Crédito: Reprodução da Internet (Via https://www.marettimo.com.br/)
Desde os primeiros séculos do cristianismo, a sexta-feira foi estabelecida como um dia especial de recordação da crucificação de Cristo. Como forma de demonstrar arrependimento pelos pecados e solidariedade com o sofrimento de Jesus, os fiéis passaram a praticar a abstinência de certos alimentos, especialmente a carne, que era considerada um símbolo de riqueza e festividade, além de estar associada a banquetes e celebrações.
A abstinência desses alimentos para o católico expressa um espírito de sacrifício e disciplina, substituindo um alimento agradável e que sacia, por outros mais simples e leves.
No ano de 1917, o Código de Direito Canônico (CDC) estabeleceu formalmente a obrigatoriedade da abstinência de carne vermelha em todas as sextas do ano. Em 1983, com a reforma do CDC, houve uma flexibilização da regra. O cânon 1251 diz:
“Abstinência de carne ou de outro alimento determinado, conforme estabelecido pela Conferência Episcopal, deve ser observada em todas as sextas-feiras do ano, a menos que coincidam com uma solenidade.”
Ou seja, essa regra deve ser observada por todos os católicos que tenham 14 anos ou mais, todas as sextas, exceto nas que tiverem alguma solenidade da Igreja, devido ao caráter festivo e não penitencial da mesma.
No Brasil, a CNBB permitiu substituir a abstinência de carne por uma outra penitência ou atividade espiritual, como por exemplo ler a Bíblia, fazer alguma oração além das habituais, participar da missa, realizar um ato de caridade ou atender uma pessoa que precisa de ajuda.
Apesar da flexibilização para as sextas-feiras comuns, a Igreja mantém uma regra mais rígida para a Sexta-feira Santa e todas as sextas-feiras da Quaresma. Durante esse período, a abstinência de carne é obrigatória para todos os católicos a partir dos 14 anos de idade, salvo por razões de saúde ou outras circunstâncias especiais.
Esse costume reforça a preparação espiritual para a Páscoa, incentivando os fiéis a refletirem sobre o sacrifício de Cristo e a se aproximarem mais de Deus por meio da penitência.
Muitas pessoas questionam por que o peixe não é considerado carne dentro dessa tradição. A explicação está na distinção histórica entre “carne de animais terrestres” e “carne de animais aquáticos”.
Antigamente, a carne de boi, porco, carneiro e aves era vista como alimento luxuoso e festivo, enquanto o peixe era um alimento mais simples e acessível, especialmente para comunidades costeiras. Assim, o peixe foi permitido como um substituto aceitável para a carne, mantendo o espírito de sacrifício e simplicidade.