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Toda a história do Povo de Israel é marcada por períodos relacionados ao número 40, como os 40 dias e noites de dilúvio, os 40 anos de peregrinação dos hebreus até a terra prometida e os 40 dias que Moisés passou no Monte Sinai antes de receber os 10 mandamentos. Também no Novo Testamento, essa simbologia é trazida nas Sagradas Escrituras, quando Jesus passa 40 dias no deserto em jejum e oração, logo antes de sua Paixão, Morte e Ressurreição.
O número 40 na bíblia remete a momentos de deserto, provação, preparação e purificação e durante a Quaresma os católicos vivem justamente uma preparação espiritual para a Páscoa.
A cor predominante na liturgia da Quaresma é o roxo, que simboliza a penitência e conversão que os cristãos buscam neste tempo, a reflexão e recolhimento espiritual, além do luto e preparação para a Paixão de Cristo.
Um detalhe interessante é que no Quarto Domingo da Quaresma, que é chamado de Domingo Laetare (que significa “Alegra-te”), o roxo pode ser substituído pelo rosa, indicando um momento de alegria no meio da penitência, pois a Páscoa está se aproximando.
Já na Semana Santa existem algumas variações, devido ao significado de cada celebração litúrgica. No Domingo de Ramos o vermelho é utilizado lembrando o martírio de Cristo; na Quinta-feira Santa, aparece o branco, em sinal da Instituição da Eucaristia na Última Ceia; na Na Sexta-feira Santa, o vermelho é utilizado novamente, em sinal do sangue derramado por Cristo. No Sábado Santo, é utilizado o roxo novamente, e às vezes até esmo o altar despido, simbolizando o luto da Igreja.
O jejum deve ser feito principalmente na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. Para adultos (18-59 anos), consiste em fazer apenas uma refeição completa no dia, com pequenas porções nos outros momentos. Já a
abstinência de carne deve ser realizada todas as sextas-feiras do ano, mas especialmente durante a Quaresma, simbolizando sacrifício e penitência e relembrando o sacrifício de Cristo na Cruz. Em alguns países, permite-se substituir por outra penitência ou prática de caridade.
Por ser um tempo de se aprofundar na fé e na oração, algumas das orações recomendadas na Quaresma são:
Via-Sacra: Meditação sobre o caminho de Jesus até a cruz, realizada especialmente nas sextas-feiras da Quaresma.
Meditação da Palavra de Deus: Leitura da Bíblia, especialmente sobre a Paixão de Cristo.
Confissão: É incentivada a confissão dos pecados para a reconciliação com Deus.
Orações penitenciais: Como por exemplo o Salmo 51 (“Miserere”), pedindo perdão e renovação da fé.
Além do jejum e da oração, a Igreja incentiva a esmola, ou seja, a prática da caridade, ajudando os necessitados, realizando doações, dentre outras formas de ajudar aqueles que mais precisam.
A imposição das cinzas, feitas a partir da queima dos ramos abençoados do Domingo de Ramos do ano anterior, simboliza tanto Mortalidade (“Lembra-te que és pó e ao pó voltarás”) quanto a Conversão (“Convertei-vos e crede no Evangelho”)
Marca a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém com os fiéis segurando ramos, representando a Realeza de Cristo, que foi aclamado como rei, e a Paixão e sofrimento, pois logo depois, Ele seria crucificado.
Devido ao caráter penitente e reflexivo da Quaresma, a Igreja retira alguns elementos que expressam festa e alegria, como o “Aleluia”, que não é cantado nas missas, e o Glória, que também não é cantado (exceto em solenidades).
O Tríduo Pascal se refere aos três dias mais sagrados do ano litúrgico, que são a Quinta-feira Santa, em que se celebra a Última Ceia e a instituição da Eucaristia e do sacerdócio e é neste dia que ocorre o rito do Lava-Pés, simbolizando o serviço e a humildade; a Sexta-feira Santa, dia de silêncio e luto, com a Adoração da Cruz, o único dia do ano em que não há missa, apenas uma celebração com leituras, orações e a comunhão; o Sábado Santo, quando a Igreja permanece em vigília, aguardando a Ressurreição de Cristo.
Na noite do Sábado Santo, ocorre a Vigília Pascal, com a bênção do Fogo Novo e a entronização do Círio Pascal, que representa Cristo Ressuscitado, luz do mundo, e que permanece aceso durante os 50 dias de Páscoa, até o Pentecostes.
A música litúrgica neste período tem um tom mais sóbrio e penitencial, incluindo cantos que falam de conversão e misericórdia, como “Perdão, Ó Senhor” e “Misericórdia, Senhor”, além disso, o órgão e outros instrumentos são usados com moderação, muitas vezes sendo substituídos por instrumentos mais simples. E como já citado anteriormente, o Glória e o Aleluia não são cantados,
A Quaresma é um período rico em simbolismo e espiritualidade, convidando os fiéis a um caminho de conversão, penitência e renovação da fé. Com suas cores, ritos e tradições, ela prepara os cristãos para viverem plenamente o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, culminando na grande festa da Páscoa.