USD 
USD
R$5,008up
13 maio · FX SourceCurrencyRate 
CurrencyRate.Today
Check: 13 May 2026 20:55 UTC
Latest change: 13 May 2026 20:48 UTC
API: CurrencyRate
Disclaimers. This plugin or website cannot guarantee the accuracy of the exchange rates displayed. You should confirm current rates before making any transactions that could be affected by changes in the exchange rates.
You can install this WP plugin on your website from the WordPress official website: Exchange Rates🚀
procissao do encontro foto francisco carlos

Crédito: Francisco Carlos

Todo católico deve caminhar com Maria ao encontro de Cristo (e assim encontrar a salvação)

A Procissão do Encontro: um gesto de fé, dor e esperança no coração da Semana Santa.

Na riqueza espiritual da Semana Santa, poucas expressões populares são tão carregadas de emoção e teologia como a Procissão do Encontro, também chamada de Encontro de Nosso Senhor dos Passos com Nossa Senhora das Dores. Esse rito, profundamente enraizado na piedade popular católica, é uma catequese viva e comovente sobre o sofrimento redentor de Cristo e a dor compassiva de Maria, sua Mãe.

A origem e o sentido espiritual do Encontro

A tradição da Procissão do Encontro remonta aos séculos XVI e XVII, com raízes na espiritualidade franciscana e na devoção às Dores de Maria. É especialmente popular em países de tradição ibérica e latino-americana, como Portugal e Brasil, onde a fé católica se expressa não só nos altares, mas também nas ruas.

O Encontro representa, de modo simbólico e devocional, o momento em que Maria Santíssima encontra seu Filho no caminho do Calvário, carregando a cruz. Ainda que os Evangelhos não relatem diretamente essa cena, a Tradição da Igreja, iluminada por textos como os de São Boaventura, Santa Brígida da Suécia e os místicos medievais, sustenta com profundidade teológica essa possibilidade. A Igreja reconhece o valor dessas revelações privadas e dos elementos da piedade popular, desde que estejam em harmonia com a fé e a doutrina católica (Catecismo da Igreja Católica, 67).

Nossa Senhora das Dores: Mãe e Corredentora

Na Procissão do Encontro, Maria é representada sob o título de Nossa Senhora das Dores, vestida de negro, com o coração transpassado por espadas, conforme a profecia de Simeão: “uma espada transpassará tua alma” (Lc 2,35). A piedade mariana nesse contexto é profundamente bíblica e teológica: a Virgem se une intimamente ao sofrimento do Filho, tornando-se, como ensina o Magistério, “associada de modo singular à obra redentora” (Lumen Gentium, 58).

Não se trata apenas de uma mãe que sofre por ver o Filho padecer. Trata-se da Mãe do Redentor que, em total adesão à vontade do Pai, participa da Paixão com o coração transpassado, tornando-se modelo perfeito da Igreja fiel, da discípula que permanece de pé junto à Cruz (Jo 19,25).

Nosso Senhor dos Passos: o Cristo paciente e vitorioso

A imagem de Nosso Senhor dos Passos, com a cruz aos ombros, representa Jesus em sua caminhada para o Calvário. Ele é o Servo Sofredor anunciado por Isaías (Is 53), o Cordeiro que se entrega por amor, o Deus que assume o peso do pecado do mundo. A procissão com essa imagem é uma proclamação pública do mistério da Redenção: Deus caminha conosco, carrega nossa dor, abraça nossa cruz.

O encontro: uma catequese viva da Paixão

Na prática tradicional, os fiéis se reúnem em dois cortejos: os homens acompanham a imagem de Nosso Senhor dos Passos, e as mulheres seguem Nossa Senhora das Dores. Os cortejos saem de diferentes pontos da cidade ou paróquia e se encontram em uma praça ou igreja, onde ocorre o momento central: o sermão do encontro.

Esse sermão, geralmente pregado por um sacerdote ou diácono, é um momento de intensa comoção e reflexão. Nele, medita-se sobre a dor de Maria, a entrega de Cristo e o chamado à conversão. A procissão é, portanto, mais do que uma expressão cultural: é uma liturgia popular que prepara os fiéis para a vivência profunda da Páscoa do Senhor.

procissão do encontro
Procissão do encontro – Foto: Tarso Sarraf/O Liberal

A Semana Santa e a espiritualidade do Encontro

Celebrada geralmente na Quarta-feira ou Sexta-feira da Paixão, a Procissão do Encontro insere-se na lógica da Semana Santa: um tempo de recolhimento, contemplação e renovação espiritual. Ela expressa, de forma concreta, o convite da Igreja para “seguir com Cristo até a Cruz, para com Ele ressuscitar” (cf. Sacrosanctum Concilium, 6).

Nesse sentido, o Encontro é também um apelo à compaixão e à conversão. Maria encontra o Filho sofredor — e nós somos chamados a encontrar Cristo nos sofrimentos do mundo, nos crucificados de hoje, e sobretudo, no nosso próprio coração. É um momento de reencontro com a fé, com a misericórdia e com o chamado à santidade.

A força da piedade popular e a fé do povo

O Papa São João Paulo II, na Exortação Apostólica Ecclesia in America, e o Papa Francisco em suas catequeses, reafirmam o valor da piedade popular como expressão legítima da fé, quando enraizada na doutrina e vivida em espírito de comunhão com a Igreja. A Procissão do Encontro, nesse sentido, é uma verdadeira escola de fé: ensina com imagens e passos o que o Evangelho proclama com palavras.

Caminhar com Maria ao encontro de Cristo

A Procissão do Encontro é mais do que uma tradição: é uma liturgia do coração. É Maria que, como Mãe da Igreja, vai ao encontro do Redentor em sua dor, e nos convida a acompanhá-la nesse caminho. Na dor do Filho, ela vê a salvação do mundo. No sofrimento do Cristo, ela participa da esperança da ressurreição.

Ao participar desse rito com fé e devoção, cada fiel é convidado a viver a Semana Santa não como espectador de um drama, mas como discípulo que caminha com Jesus, com Maria, com a Igreja, rumo à vitória da Cruz e à glória da Ressurreição.

Compartilhe

Sobre o autor

Publicidade

mais notícias

Filme “Todas Elas em Uma” estreia nos cinemas em maio e leva aos palcos da tela uma poderosa experiência musical sobre o feminino, a vida e o amor. Entre os dias 11 e 12 de maio, o filme será exibido nos cinemas com distribuição da Kolbe Arte em parceria com a Oficina Viva Produções, em 10 salas espalhadas pelo Brasil.
Advento, o tempo em que a esperança toma forma e prepara o coração para a luz que vem
Um chamado renovado às graças que transformam e sustentam o coração cristão.
Os 14 auxiliadores revelam como o Céu se inclina para socorrer aqueles que permanecem fiéis
Santa Catarina de Alexandria — a mente que desarmou impérios e o coração que não traiu Cristo
Cristo Rei reina do alto da cruz e conduz o tempo até a plenitude da sua glória
Onde a música se faz oração, o coração encontra o caminho da santidade
A reencarnação não cabe onde Cristo salva de uma vez para sempre
Reparação é devolver amor a quem nunca deixou de amar
A firmeza de São Odão de Cluny recorda que a verdadeira reforma começa no interior
Santo Alberto Magno foi um sábio que fez da inteligência um ato de fé viva
O Batismo é um começo sobrenatural que redefine quem somos e para onde caminhamos