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Crédito: Reprodução da Internet
Um passeio turístico de balão terminou em tragédia na manhã deste sábado (21), em Praia Grande, no sul de Santa Catarina. O acidente, considerado o mais grave da história recente do balonismo no Brasil, deixou oito pessoas mortas e outras treze feridas. O caso aconteceu por volta das 8h, na comunidade de Cachoeira de Nova Fátima, zona rural do município.
De acordo com as primeiras informações repassadas pelo Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, o balão levava 21 pessoas a bordo quando o fogo começou ainda nos primeiros minutos de voo. As chamas tiveram início no cesto da aeronave, possivelmente após uma falha em um maçarico reserva, segundo relato de sobreviventes e do próprio piloto.
Ao perceber a gravidade da situação, o comandante da aeronave tentou realizar um pouso de emergência. Durante a descida, orientou que os passageiros saltassem enquanto ainda havia alguma altitude controlável. Treze pessoas conseguiram se lançar ao solo e sobreviveram, algumas com ferimentos graves. As demais vítimas, sem conseguir escapar a tempo, morreram em decorrência das queimaduras ou da queda.
Após os sobreviventes deixarem o balão, a estrutura voltou a ganhar altitude de forma descontrolada e despencou minutos depois, já em chamas, a poucos metros de um posto de saúde local.
Entre os mortos, estão identificados profissionais conhecidos na região, como o oftalmologista Dr. Andrei Gabriel de Melo, a médica Leise Herrmann Parizotto e sua mãe, Leane Herrmann. Também perderam a vida o professor e atleta Leandro Luzzi, o casal Janaina e Everaldo da Rocha, além de Fabio Luiz Izycki e sua esposa, Juliane Sawicki. As famílias são naturais de diferentes cidades de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
Os treze sobreviventes foram encaminhados a hospitais da região. Alguns já receberam alta, enquanto outros permanecem internados, sob acompanhamento médico. O estado de saúde dos feridos varia de estável a grave.
A resposta das equipes de emergência foi rápida. Cerca de 30 bombeiros atuaram no resgate, com apoio de unidades do SAMU e da Polícia Científica. A área foi isolada para o trabalho de perícia.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), ligado à Força Aérea Brasileira, já iniciou os procedimentos para apurar as causas da tragédia. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) também acompanha o caso de perto.
A principal hipótese técnica até o momento é de que o incêndio tenha começado por uma falha técnica no equipamento reserva, algo que será confirmado apenas com a conclusão do laudo, previsto para os próximos 30 dias.
A empresa responsável pelo voo, a Sobrevoar Serviços Turísticos, anunciou a suspensão imediata de todas as suas operações. Em nota oficial, a direção da empresa afirmou que todos os procedimentos de segurança estavam sendo seguidos e que o balão tinha autorização regular de voo emitida pela ANAC.
A cidade de Praia Grande é conhecida como um dos principais destinos de balonismo do Brasil, apelidada de “Capadócia brasileira” devido ao grande número de voos turísticos. Junho costuma ser um mês de alta demanda, impulsionada pelo clima frio e os feriados prolongados, como o de Corpus Christi.
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, decretou luto oficial de três dias e manifestou solidariedade às famílias das vítimas. Pelas redes sociais, o presidente da República também lamentou o ocorrido e ofereceu apoio federal às autoridades catarinenses.
O acidente provocou forte comoção tanto entre moradores quanto entre turistas que frequentam a região. A tragédia levanta novas discussões sobre a segurança dos passeios de balão no Brasil e deve acelerar revisões de protocolos por parte das autoridades de aviação civil.
Além do laudo técnico, as investigações devem ouvir testemunhas, analisar os equipamentos e revisar os registros de manutenção da empresa. O Ministério Público de Santa Catarina já acompanha o caso para avaliar eventuais responsabilidades civis e criminais.