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Crédito: Sarah Meyssonnier/POOL/AFP
Nesta terça-feira (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto que dobra as tarifas de importação sobre aço, alumínio e seus derivados, elevando os tributos de 25% para 50%. A medida foi publicada no site oficial da Casa Branca e entra em vigor já nesta quarta-feira, 4 de junho. Segundo o governo americano, a justificativa é baseada em “motivos de segurança nacional”.
A decisão representa um recrudescimento da política protecionista americana e tem potencial para provocar desdobramentos significativos no comércio internacional. No centro da nova medida estão países como Brasil e México, grandes exportadores de produtos siderúrgicos para o mercado norte-americano.
O Brasil é atualmente o segundo maior fornecedor de aço para os Estados Unidos. Em 2024, aproximadamente 70% das exportações brasileiras do setor de metais foram destinadas ao mercado americano. Com a nova tarifação, há um risco concreto de redução acentuada nas vendas ao país, o que pode impactar a balança comercial brasileira e pressionar o setor siderúrgico interno.
O Ministério das Relações Exteriores e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços ainda não emitiram nota oficial sobre o decreto, mas fontes do setor indicam preocupação. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) já vinha alertando desde março que medidas como essa poderiam causar “desequilíbrio nas cadeias globais de produção e comércio”.
Além do Brasil, outros países exportadores também serão afetados. A única exceção anunciada é o Reino Unido, que manterá a alíquota em 25% por conta de um acordo bilateral fechado com os EUA.
A nova tarifa de Trump surge em meio à estratégia americana de revisar o sistema de comércio exterior com base no conceito de “reciprocidade”. O governo Trump afirmou que está disposto a reavaliar as tarifas para países que também reduzirem suas barreiras aos produtos americanos. Um prazo até 9 de julho foi estabelecido para que os parceiros comerciais dos EUA apresentem suas propostas nesse sentido.
Ainda segundo o comunicado oficial, a medida visa preservar a base industrial norte-americana e reduzir a dependência de insumos críticos vindos do exterior. Trata-se de uma retomada do discurso usado pelo próprio Trump em seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, quando iniciou uma guerra comercial com a China e impôs tarifas similares.
Com a imposição da nova barreira, analistas preveem que parte da produção brasileira poderá ser redirecionada ao mercado interno. Isso pode gerar um excedente de oferta que, a depender do comportamento da demanda, pode pressionar os preços para baixo. Por outro lado, o acúmulo de estoques e a redução na receita de exportação também podem afetar a lucratividade das empresas do setor.
Em reação a medidas anteriores dos EUA, o governo brasileiro já havia adotado em 2024 um aumento nas tarifas de importação para 25% em 11 categorias de produtos de aço e ferro, expandindo a lista em maio de 2025 para 23 categorias, com o objetivo de proteger a indústria nacional. Agora, o cenário se torna ainda mais desafiador, exigindo possível reavaliação dessas políticas.
A diplomacia brasileira deverá se mobilizar para discutir alternativas com os Estados Unidos, incluindo a possibilidade de negociação bilateral ou até mesmo a abertura de contenciosos na Organização Mundial do Comércio (OMC), caso considere que a medida fere princípios de comércio justo.
Enquanto isso, empresas do setor como Gerdau, Usiminas e ArcelorMittal monitoram de perto os desdobramentos, diante da possibilidade de queda nas encomendas internacionais e mudanças no fluxo de capital.
A situação ainda está em desenvolvimento, e novas reações oficiais devem ocorrer ao longo das próximas horas e dias.