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Crédito: Vatican Media
Nesta sexta-feira, 25 de abril de 2025, o Vaticano vive um momento histórico e profundamente simbólico: acontece hoje, de forma reservada, o rito de fechamento do caixão do Papa Francisco, na Basílica de São Pedro. Este é o último gesto litúrgico antes da Missa Exequial, marcada para amanhã. A cerimônia de hoje encerra oficialmente o período de velório público, que permitiu que milhares de fiéis se despedissem pessoalmente daquele que conduziu a Igreja por mais de uma década.
Desde a abertura da capela ardente, em 23 de abril, mais de 150 mil pessoas passaram pela Basílica para prestar sua homenagem ao Pontífice. O acesso foi encerrado às 18h (horário local) desta sexta, e a Basílica será fechada logo em seguida para os últimos preparativos. O silêncio e a oração agora dominam os corredores do templo mais sagrado da cristandade, enquanto os ritos finais se cumprem com reverência.
Conhecido por sua proximidade com os pobres, sua linguagem acessível e o desejo de uma Igreja “em saída”, Francisco também deixou claro que queria um funeral marcado pela sobriedade. Antes de sua morte, ele aprovou uma nova versão do ritual fúnebre papal — o Ordo Exsequiarum Romani Pontificis — que simplifica vários aspectos das cerimônias que tradicionalmente envolvem a morte de um Papa.
Entre as principais mudanças está a substituição do conjunto triplo de caixões — cipreste, zinco e carvalho — por apenas um caixão de madeira, com revestimento interno metálico. O corpo, vestido com paramentos vermelhos, não foi exposto sobre o tradicional catafalco, mas diretamente no interior do esquife. O báculo papal, símbolo do poder pastoral do sucessor de Pedro, também não foi incluído no velório, conforme sua vontade.
Além disso, os títulos usados ao longo da cerimônia foram simplificados: expressões como “Sumo Pontífice” deram lugar a designações mais próximas do povo, como “Papa” e “Bispo de Roma”.
Antes de selar o caixão, elementos tradicionais foram inseridos junto ao corpo do Papa. Entre eles, medalhas e moedas cunhadas ao longo de seu pontificado, representando eventos e decisões marcantes, e o rogito — um documento em latim que resume sua vida e ministério. Este pergaminho é depositado em um tubo metálico e colocado ao lado do corpo.
Também foi incluído o pálio, insígnia que simboliza a missão do Papa como pastor da Igreja universal. Todos esses gestos reafirmam não apenas a dignidade do cargo, mas a profunda espiritualidade que marca a despedida de um líder que fez da simplicidade um testemunho.
Outra escolha pessoal de Francisco surpreendeu o mundo católico: ele optou por não ser sepultado nas Grutas Vaticanas, onde repousam a maioria dos Papas, mas sim na Basílica de Santa Maria Maior. O local tem grande significado para o pontífice argentino, que sempre visitava o ícone da Virgem “Salus Populi Romani” antes e depois de cada viagem apostólica. É lá que, após a Missa de Exéquias deste sábado, seu corpo será depositado, longe das pompas palacianas, em meio ao povo que tanto amou.
A Missa Solene de despedida será celebrada no sábado, 26 de abril, às 10h (horário de Roma), na Praça de São Pedro. O Cardeal Decano Giovanni Battista Re presidirá a celebração, que contará com a presença de líderes mundiais, representantes das Igrejas orientais e de diversas religiões, além de fiéis vindos dos cinco continentes.
A transmissão ao vivo será feita pelos canais oficiais do Vaticano, como o Vatican News e a Rádio Vaticano, com cobertura em vários idiomas, incluindo o português.
Francisco, o Papa do “cheiro das ovelhas”, encerra sua missão na terra com os mesmos traços que marcaram seu pontificado: humildade, compaixão e uma firmeza serena em favor dos pobres e da paz. O rito de hoje, silencioso e simbólico, marca o fim de uma etapa, mas o início de um legado espiritual que continuará a ecoar na história da Igreja e do mundo.
Hoje, as portas se fecham. Amanhã, a Igreja reza. E a humanidade agradece.